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PF envia provas ao STF sobre esquema de corrupção no Ceará envolvendo Junior Mano

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) as conclusões da investigação contra o deputado federal Junior Mano, do PSB, no Ceará. O parlamentar, que é pré-candidato ao Senado, é acusado de liderar uma “rede estruturada de corrupção” envolvendo autoridades de diversas esferas da política cearense.

As quebras de sigilo resultaram em um conjunto de mensagens de WhatsApp, e-mails, planilhas e diálogos que documentam como Junior Mano organizou e gerenciou a suposta organização criminosa entre 2020 e 2025. O esquema estaria relacionado ao desvio de emendas do orçamento secreto, iniciado durante o governo de Jair Bolsonaro e continuado no governo de Lula.

Mensagens interceptadas pela PF e enviadas ao STF para análise do ministro Gilmar Mendes revelam a influência de Junior Mano no governo Lula e na gestão de Elmano Freitas no Ceará. As comunicações incluem diálogos com Camilo Santana sobre a eleição de 2024 e interações com figuras do meio artístico, como o cantor Wesley Safadão.

O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também foi contatado por Junior Mano para resolver questões de interesse político. Além disso, o ex-presidente do Senado, Eunício Oliveira, o deputado José Guimarães e o deputado Yuri do Paredão foram mencionados nas investigações.

““A associação entre esses diálogos e a presença ostensiva de figuras do Congresso Nacional na agenda política do grupo liderado por Bebeto do Choró — como Eunício Oliveira e, em outra frente, o próprio deputado federal Junior Mano — sustenta a hipótese de que os esquemas de corrupção eleitoral, desvio de recursos públicos e financiamento de campanhas operam com respaldo e articulação direta em esferas federais de poder”, diz a PF.”

Segundo a PF, Junior Mano utilizou o dinheiro desviado das emendas para financiar candidaturas de prefeitos em mais de cinquenta cidades. Após eleger aliados, controlava as prefeituras, direcionando licitações para empresas ligadas ao grupo criminoso, que desviavam recursos.

O processo começava com a liberação das emendas em Brasília, seguia pela formalização de contratos fraudulentos e terminava no desvio das verbas. Propinas foram pagas a políticos, operadores e até a jornalistas, que eram remunerados para favorecer ou evitar críticas ao grupo político de Junior Mano.

““Os depoimentos revelam que Junior Mano e Bebeto do Choró operavam emendas parlamentares com cobrança de retorno financeiro, estrutura que alimentava o caixa paralelo usado tanto para influenciar licitações quanto para irrigar campanhas”, afirma a PF.”

A investigação aponta que o esquema movimentou R$ 800 milhões entre 2020 e 2025, envolvendo 16 empresas ligadas à organização criminosa. A descoberta do esquema foi facilitada pelo fato de Junior Mano e seus comparsas manterem registros detalhados em celulares e computadores.

O material enviado pela PF ao STF indica indícios de crimes de organização criminosa com fins eleitorais, captação ilícita de sufrágio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. As investigações continuam em andamento.

““É possível afirmar que os indícios reunidos convergem para uma movimentação voltada essencialmente à influência direta no pleito municipal de 2024, apoiada em práticas como a compra de votos e a manipulação de veículos de comunicação”, conclui a PF.”

Identificado como assessor de Junior Mano, Adriano Bezerra atuava na intermediação junto à Caixa Econômica Federal para a liberação de recursos. Os diálogos mostram que ele pressionava servidores para acelerar liberações de interesse do grupo.

Em conversa com Bebeto do Choró, Adriano aceitou uma proposta de apropriação de 12% sobre emendas parlamentares de R$ 1,5 milhão, o que indica que tais práticas eram comuns. Os registros incluem mensagens em que ele negocia expressamente pagamento de propina com Junior Mano.

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