A Polícia Federal (PF) revelou novos documentos que indicam a influência do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, no Poder Executivo estadual. A investigação apura a extensão de seu poder, que vai além do Legislativo.
Bacellar foi denunciado por obstrução de Justiça, acusado de vazar informações de uma operação da PF. Um dos principais focos da investigação é um empréstimo da Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) a um frigorífico do qual Bacellar é suspeito de ser sócio oculto, o que ele nega. A PF aponta que o empreendimento pode ter sido utilizado para lavagem de dinheiro.
Os documentos mostram que a AgeRio concedeu dois financiamentos ao frigorífico: um de R$ 629 mil e outro superior a R$ 2 milhões. O caso já era alvo de investigações pelo Ministério Público. A PF também descobriu que Bacellar foi consultado sobre a resposta da AgeRio às autoridades.
Mensagens encontradas no celular apreendido pela PF revelam que esclarecimentos enviados ao Ministério Público foram repassados ao deputado. Bacellar encaminhou um documento ao advogado com a mensagem: “Cláudio mandou para André que o prazo é segunda e que fizeram essa defesa, mas se precisar que mude algo eles põem lá”. Para a PF, “Cláudio” pode se referir ao governador Cláudio Castro, e “André” a André Luiz Vila Verde de Oliveira.
Outro ponto destacado pela PF são planilhas apreendidas que indicam a influência de Bacellar na indicação de cargos no Executivo. Os documentos listam nomes de deputados, áreas de atuação política e pedidos feitos a Bacellar, como espaços no governo, dezenas de cargos e estrutura para campanhas eleitorais.
Além disso, aparecem nomes de indicados e ocupantes de cargos em órgãos como o Detran e a Faetec, sugerindo atuação em áreas como trânsito e educação. Para os investigadores, os dados indicam um possível “loteamento” da estrutura administrativa do estado.
Bacellar chegou a ser preso sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho para o então deputado TH Joias, mas foi solto uma semana depois. Desde então, aliados indicados por ele para cargos no governo, como na Secretaria Estadual de Educação e no Departamento de Estradas de Rodagem, foram exonerados.
Recentemente, Bacellar pediu afastamento da Alerj pela quinta vez, em licenças sucessivas de curto prazo, mantendo-se formalmente no cargo. Atualmente, ele está em Teresópolis, onde reside em uma casa que divide com Jansens Calil Siqueira, apontado como responsável pelo frigorífico investigado.
Procurados, o deputado Rodrigo Bacellar e o frigorífico citado na investigação não responderam até a última atualização. A AgeRio informou que todos os esclarecimentos enviados ao Ministério Público foram elaborados com base nos fatos apurados e que o financiamento ao frigorífico seguiu todos os critérios exigidos antes da liberação do crédito.


