A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (10), a operação New Girl, visando desmantelar uma organização criminosa transnacional suspeita de aliciar e enviar mulheres brasileiras para exploração sexual em países da Europa.
Durante a ação, um homem foi preso e dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo. A Justiça Federal determinou o sequestro de contas bancárias, criptomoedas, veículos, imóveis e outros ativos, totalizando aproximadamente R$ 4,7 milhões.
O inquérito teve início após o relato de uma vítima que, ao viajar ao exterior por meio do esquema investigado, sofreu violência e passou a receber ameaças de integrantes do grupo. Com base nas informações fornecidas, foram identificadas outras mulheres que teriam sido recrutadas e submetidas a práticas semelhantes de exploração.
As investigações revelaram que o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para aliciar mulheres, oferecendo promessas de altos ganhos, passagens financiadas e hospedagem. Ao chegarem aos países de destino, as vítimas eram obrigadas a repassar parte dos valores obtidos e a cumprir regras impostas pela organização, além de permanecer sob constante vigilância e ameaças.
Na sexta-feira (6), a PF também deflagrou outra operação em Santa Catarina, destinada a combater um esquema de tráfico de pessoas voltado à exploração sexual, onde as vítimas eram atraídas da Argentina para o Brasil. Os policiais realizaram buscas em dois endereços em São Miguel do Oeste (SC), onde encontraram duas mulheres que foram levadas para prestar depoimento.
As investigações começaram em setembro de 2025, após a denúncia de uma vítima argentina que relatou ter sido atraída ao Brasil com falsas promessas de emprego em um restaurante, mas acabou sendo forçada a se prostituir em uma casa noturna. A vítima afirmou que uma aliciadora apresentava ofertas de trabalho que nunca se concretizavam.
Além disso, a mulher relatou ter sofrido agressões físicas, supostamente praticadas pelo proprietário do local, e as lesões foram confirmadas por exame pericial realizado no Instituto Médico-Legal (IML). Após os procedimentos legais, a Polícia Civil tomou medidas para garantir o retorno seguro da vítima à Argentina.
O material apreendido durante os mandados está sendo analisado pela PF, que continua as investigações para esclarecer os fatos e identificar outras possíveis vítimas e envolvidos no esquema criminoso.


