A Polícia Federal (PF) prendeu 24 pessoas nesta quarta-feira (18) durante uma operação contra o tráfico de drogas e a venda ilegal de armas em quatro estados. O grupo estava ligado ao Comando Vermelho (CV) e atuava como um ‘braço’ da facção no interior de São Paulo, mantendo intercâmbio com criminosos do Rio de Janeiro.
O delegado-chefe da PF em Campinas, André Ribeiro, afirmou que essa conexão entre criminosos ajudava a expandir a atuação do crime organizado na região. ‘A característica, inclusive, de atuação, índices de homicídios praticados, a comercialização de drogas com alto teor de concentração, então para isso houve essa atuação forte e conjunta das forças da Polícia Federal com a Polícia Militar para realizar a prisão deles’, disse Ribeiro.
A organização criminosa operava em diversas cidades do interior paulista e tinha conexões com Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, participando de diferentes etapas do tráfico de drogas e armas. O coronel Cleotheos Sabino, comandante da Polícia Militar, destacou que ‘todas essas pessoas que foram identificadas, que também faziam parte de alguma forma da organização, quer seja na venda, na distribuição ou na participação direta do tráfico internacional de drogas e armas’.
Os criminosos transformavam a maconha em versões mais potentes, aumentando o lucro e reduzindo o volume transportado, o que dificultava a fiscalização. A investigação também revelou que o grupo utilizava uma rede de empresas para movimentar dinheiro ilícito, com mais de 20 empresas suspeitas, incluindo uma loja de veículos em Rio Claro (SP).
A Justiça autorizou 35 mandados de busca e apreensão e 37 de prisão temporária, além do bloqueio de cerca de 150 contas bancárias, com valores que podem chegar a R$ 70 milhões. Durante a operação, foram realizadas quatro prisões em flagrante por tráfico de drogas e duas por obstrução de justiça, pois os indivíduos destruíram seus celulares durante o cumprimento do mandado.
A investigação teve início após a prisão de um suspeito em Araras (SP), que apontou ligação com o crime organizado do Rio de Janeiro. ‘A partir daí, esse material foi trazido às mãos da Polícia Federal, iniciou-se essa investigação e essas ramificações todas que foram levantadas e efetuadas nas prisões hoje, elas vêm dessa investigação’, detalhou Sabino.
André Ribeiro afirmou que a investigação continua. ‘Esse material vai ser totalmente exaurido e o objetivo é continuar, verificar novos integrantes que, porventura, não tenham sido presos nesse momento e desarticular por completo o crime organizado aqui na região’, destacou.


