Piloto de lancha que naufragou em Manaus se entrega após um mês foragido

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Pedro José da Silva Gama, piloto da lancha que naufragou em Manaus, se entregou à polícia no início da noite desta segunda-feira (16). Ele estava foragido há pouco mais de um mês após a tragédia que resultou em três mortes e cinco desaparecidos.

O naufrágio da lancha de transporte de passageiros Lima de Abreu XV ocorreu em 13 de fevereiro, quando a embarcação, que partiu de Manaus com destino ao município de Nova Olinda do Norte, afundou com cerca de 80 pessoas a bordo. O piloto se apresentou na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde deve permanecer detido. Ele deve ser encaminhado para audiência de custódia na terça-feira (17).

“”O Pedro se apresentou espontaneamente na delegacia, ele nunca teve a intenção de se evadir da Justiça, no entanto ele estava totalmente assustado, fragilizado, agora ele já se apresentou e pretende colaborar com as investigações”, disse a defesa do piloto.”

Pedro havia sido detido no dia do acidente e levado ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Após a confirmação das mortes, foi encaminhado à DEHS e liberado após pagar fiança. No dia seguinte, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou sua prisão preventiva para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.

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A lancha da empresa Lima de Abreu Navegações saiu de Manaus por volta das 12h30. Durante a viagem, a embarcação naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se encontram. Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas, incluindo crianças, à deriva na água, muitas usando coletes salva-vidas ou apoiadas em botes enquanto aguardavam socorro.

As causas do acidente ainda não foram divulgadas oficialmente e seguem sob investigação. Parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam pela região. Um dos episódios mais notáveis foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias, que foi colocado dentro de um cooler para evitar contato com a água. A mãe do bebê também foi resgatada e ambos foram levados para atendimento médico.

Testemunhas relataram momentos de tensão antes do naufrágio. Uma passageira alertou o piloto sobre a necessidade de reduzir a velocidade devido ao banzeiro, ondas fortes comuns na região do Encontro das Águas. A empresa Lima de Abreu Navegações lamentou o ocorrido, afirmando que a embarcação estava regularizada e com a documentação em dia, além de informar que está colaborando com as investigações.

Entre as vítimas estão Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos, e Fernando Grandêz, de 39 anos. Os corpos de Samila e Lara foram encontrados horas após o naufrágio. Samila foi levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já estava sem vida. Lara, natural de Nova Olinda do Norte, estudava odontologia em Manaus e estava prestes a concluir a graduação. O corpo de Fernando Grandêz foi encontrado três dias após o naufrágio durante os trabalhos de busca na região.

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