O piloto brasileiro Mário Jorge Filho, de 33 anos, viajou quase 4 mil quilômetros de avião, decolando da Flórida e pousando em Boa Vista (RR) no dia 1º de março. A viagem, que durou três dias, foi marcada por escalas em ilhas do Caribe e desafios como a falta de GPS e piloto automático.
O monomotor Bonanza F33A, adquirido por Mário, foi batizado de Brasileirinho. O trajeto incluiu quatro escalas e gerou um custo de aproximadamente R$ 11,5 mil apenas em combustível. O piloto compartilhou sua experiência em um vídeo que já conta com mais de 5 milhões de visualizações nas redes sociais.
“Comprei o avião nos Estados Unidos e precisava trazer para o Brasil. Isso faz parte da minha profissão”, explicou Mário, que trabalha com a compra e transporte de aeronaves desde 2015. O percurso total foi de cerca de 3.800 km, maior que a rota direta estimada em 3.300 km.
O trajeto incluiu paradas em locais como Bahamas, Porto Rico, Sint Maarten e Granada. Mário escolheu essas paradas por questões de segurança e familiaridade com os locais. “Escolho lugares onde já passei várias vezes, onde me conhecem, onde sei que tem estrutura”, disse.
O professor e pesquisador James Waterhouse, da Universidade de São Paulo (USP), destacou que esse tipo de trajeto é comum para aeronaves menores, pois oferece mais segurança. “Em vez de seguir em linha reta, o piloto vai passando pelas ilhas, como se fosse uma ferradura”, explicou.
O Bonanza F33A é um modelo clássico da aviação americana, considerado seguro, mas que requer atenção em voos longos. “O principal [risco] é o motor. Existe um ditado: quem tem dois motores tem um; quem tem um, não tem nenhum”, afirmou Waterhouse.
Mário Jorge também ressaltou que a escolha da rota com paradas é fundamental para garantir a segurança durante o voo. Ele já realizou essa mesma rota várias vezes e elogiou a estrutura de apoio disponível nas ilhas.
Além dos custos com combustível, a viagem também envolveu taxas aeroportuárias e diárias de hotel. O avião está atualmente em processo de regularização junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que inclui a obtenção de certificados de propriedade e condições de aeronavegabilidade.
O piloto planeja adaptar o Brasileirinho para um projeto ambicioso: dar a volta ao mundo ainda este ano. “Quero mostrar a cultura do mundo para o Brasil e o Brasil para o mundo”, finalizou Mário.


