O Palácio do Planalto decidiu agir para evitar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao escândalo do Banco Master. A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, orientou o ministro da Justiça, Wellington Lima, a investigar a origem dos vazamentos após queixas de líderes do Congresso e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A movimentação ocorreu após uma reunião entre Gleisi e lideranças do governo na Câmara e no Senado na segunda-feira (9). O receio no entorno do presidente Lula é que o caso se transforme em uma ‘nova Lava Jato’, utilizando vazamentos seletivos para atingir adversários políticos em um ano eleitoral.
A decisão do governo também visa atender a insatisfações relatadas por ministros do STF em relação à Polícia Federal (PF) e à falta de controle do governo sobre a instituição. O mal-estar aumentou após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregar diretamente ao ministro Edson Fachin provas contra o ministro Dias Toffoli.
Assessores de Lula mencionam o governo de Dilma Rousseff como um exemplo negativo a ser evitado, onde a falta de controle da PF contribuiu para um clima político que levou ao impeachment. O Planalto busca demonstrar vigilância nesta questão.
Embora Gleisi tenha dado a orientação, a atual avaliação no Ministério da Justiça é que o inquérito já aberto pela PF na sexta-feira (6), por ordem de André Mendonça, é suficiente por enquanto. Contudo, a ordem é de alerta máximo para evitar novas exposições de autoridades.
Além de conter os vazamentos, Lula enfrenta uma crise com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Recentemente, Lula telefonou para Alcolumbre após o senador decidir não anular a quebra de sigilo de ‘Lulinha’, filho do presidente, em retaliação ao envolvimento do Instituto de Previdência do Amapá no escândalo do Master.
Os dois combinaram um encontro presencial esta semana para discutir a crise do Master, a indicação de Jorge Messias para o Supremo, a PEC da Segurança e um encontro de Lula com senadores, que está pendente desde fevereiro.
O governo ainda não definiu uma estratégia de comunicação clara sobre o escândalo do Master, dificultada pela implicação de ministros do Supremo. Alguns ministros sugerem uma postura mais ofensiva, associando o caso à direita bolsonarista. Há queixas sobre a ausência de Lula em decisões domésticas devido a viagens internacionais, o que complica a definição de uma linha de defesa.
A pressão para que Lula permaneça mais no Brasil já teve efeito: o presidente cancelou uma viagem ao Chile para a posse de José Antônio Kast e optou por ficar em Brasília.


