A soldada Gisele Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça em fevereiro. Antes de sua morte, ela enviou mensagens a uma amiga se queixando dos ciúmes do marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto.
Em uma das mensagens, Gisele afirmou: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego. Não tenho como controlar o que falam, muito menos o que acham […].” A mãe da soldada relatou que Gisele vivia um relacionamento abusivo e que o oficial impunha restrições severas ao seu comportamento, como proibições de usar batom, salto alto e perfume.
O advogado da família, Miguel Silva, apresentou um áudio onde Gisele pedia ajuda para encontrar uma nova casa, indicando que ela planejava se afastar do marido. No áudio, Gisele diz: “Não, pai, pra mim é melhor aí, rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor.” O advogado afirmou que a mensagem reforça a versão da família sobre a intenção de Gisele de deixar o apartamento.
O advogado também mencionou um histórico de ameaças e perseguições do tenente-coronel contra mulheres, incluindo ex-companheiras e policiais militares subordinadas. Ele destacou que há registros policiais de ameaças e assédio moral, incluindo um caso em que uma ex-mulher solicitou medida protetiva contra ele.
Quase um mês após a morte de Gisele, a defesa do tenente-coronel ainda sustenta que a soldada se suicidou. O advogado Eugênio Malavasi, que defende o coronel, afirmou: “A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil.” Por outro lado, o advogado da família de Gisele alegou que a morte foi um feminicídio cometido pelo marido.
A Polícia Civil reclassificou o caso como morte suspeita, e a Justiça determinou a redistribuição para a Vara do Júri, considerando indícios de crime doloso. Laudos periciais indicaram marcas de unhas e arranhões no pescoço de Gisele, além de lesões no rosto e sinais de disparo à queima-roupa.
O coronel Geraldo se afastou do trabalho após a morte da esposa e participou da reconstituição do caso. A versão inicial de suicídio foi contestada pela família, que pressionou por uma reavaliação do caso, levando a Polícia Civil a investigar a possibilidade de feminicídio.

