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Justiça

PM não enviou imagens de 40% das câmeras corporais solicitadas pela Defensoria Pública do RJ

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 13:15
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A Defensoria Pública do Rio de Janeiro informou que a Polícia Militar não enviou imagens de 40% das câmeras corporais solicitadas. No ano passado, foram feitas 2,5 mil solicitações, mas apenas 1,5 mil foram atendidas.

As câmeras dos três policiais militares envolvidos na morte da médica Andréa Marins Dias estavam descarregadas e não registraram a ocorrência. Em 337 casos, a PM alegou que não tinha mais os vídeos, representando 13,4% do total de pedidos. O defensor Pedro Paulo Gouvêa de Souza comentou: “Eu acho que é um número preocupante porque são 300 casos, 300 vidas que estão sendo julgadas num processo criminal no qual merecem algum esclarecimento, e se a gente tem o equipamento é para ele ser utilizado”.

A lei que obriga o uso de câmeras corporais pelos policiais no estado foi sancionada em junho de 2021, após uma operação na favela do Jacarezinho que resultou em 28 mortes. Os policiais começaram a usar os equipamentos em maio de 2022, após decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou que toda ação policial no estado deve ser gravada. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) iniciou o uso das câmeras em 2024. Atualmente, mais de 13 mil câmeras estão em uso pelos policiais militares em patrulhamento no estado.

A médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, foi morta no domingo (15) durante uma suposta perseguição em Cascadura, na Zona Norte do Rio. As imagens das câmeras seriam essenciais para esclarecer se os agentes confundiram o carro da médica com o de criminosos. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Moradores relataram tiros e um deles gravou imagens de um carro branco com marcas de disparos no para-brisa.

Em nota, a PM confirmou que os três agentes usavam câmeras corporais, mas que estavam sem bateria no momento da ocorrência. As armas utilizadas foram apreendidas para perícia. A PM ressaltou que há normas que determinam que os policiais devem retornar à unidade ao identificar falhas nas câmeras.

O Instituto Fogo Cruzado informou que Cascadura foi o bairro com mais registros de tiroteios em 2025, com 126 ocorrências, e já contabilizou 18 casos em 2026.

O enterro de Andréa ocorreu no Cemitério da Penitência, na Zona Norte, e foi reservado a parentes e amigos. O pai de 88 anos e a mãe de 91 estavam muito abalados. Um médico amigo da vítima, Armando Novais, declarou: “Esclarecimento é necessário, até porque se houve um erro, se o erro não for corrigido, ele continua acontecendo”. Andréa era cirurgiã oncológica com quase 30 anos de experiência e enfrentou diversas dificuldades em sua trajetória profissional.

A Assessoria de Imprensa da PM informou que as baterias das câmeras estavam descarregadas no momento da ocorrência e que todos os fatos estão sob apuração.

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