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Polícia aguarda laudos de exumação de PM morta para avançar investigação

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Polícia Civil aguarda os laudos da exumação do corpo da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta em 18 de fevereiro, para dar continuidade às investigações. O inquérito está sob a responsabilidade do 8° DP (Belenzinho).

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), o caso é tratado como morte suspeita, mas a tipificação pode ser revista a qualquer momento. Após novas evidências e relatos de socorristas, a Justiça determinou que a morte de Gisele seja investigada como feminicídio.

A soldado da PM foi encontrada morta dentro do apartamento que compartilhava com o marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, no bairro do Brás, na região central de São Paulo. Inicialmente, o caso era investigado como suicídio, mas passou a ser considerado uma morte suspeita.

Laudos do Instituto Médico-Legal (IML) e do Instituto de Criminalística revelaram marcas de lesões no pescoço e no rosto da PM, que morreu com um tiro na cabeça. As lesões são compatíveis com pressão de dedos na face inferior e no pescoço, descritas como estigmas digitais.

Os novos laudos da exumação, autorizada pela Justiça e realizada na última sexta-feira (6), devem ser concluídos até esta sexta-feira (13). O marido de Gisele não é considerado investigado ou suspeito pela polícia. A SSP informou que a investigação é acompanhada pela Corregedoria da Polícia Militar.

A defesa do tenente-coronel afirma que ele tem colaborado com as autoridades e não figura como investigado, suspeito ou indiciado no procedimento formal em curso.

O disparo que matou a policial ocorreu às 7h28, conforme relato de uma vizinha que acordou com o estampido. No apartamento, estava apenas o marido da vítima, o tenente-coronel de 53 anos. Em depoimento, Geraldo afirmou que acordou por volta das 7h e comunicou à esposa seu desejo de separação, o que teria causado uma discussão.

Após a discussão, ele foi tomar banho e deixou a porta da suíte destrancada, onde sua pistola calibre .40 estava guardada. Cerca de um minuto depois de entrar no chuveiro, ouviu um estrondo e, ao sair do banheiro, encontrou a esposa caída na sala, vestindo apenas uma toalha, com ferimento na cabeça e segurando a arma.

Após o ocorrido, ele acionou o resgate e telefonou para um amigo, o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan.

Relatos de funcionários do condomínio e socorristas levantaram dúvidas sobre a versão apresentada. Testemunhas afirmaram que o tenente-coronel aguardava no corredor do prédio sem camisa e sem manchas de sangue, indicando que não tentou prestar socorro à esposa. Socorristas também estranharam a cena, com um dos bombeiros afirmando que retirou a arma da mão da vítima com facilidade, sem o espasmo muscular normalmente observado em suicídios por arma de fogo.

Outro ponto questionado foi a decisão do oficial de retornar ao apartamento e tomar banho logo após a vítima ser levada ao hospital. Policiais presentes relataram que ele ignorou orientações para preservar o local e permaneceu no imóvel por cerca de 20 minutos antes de trocar de roupa. A inspetora do condomínio informou que, no final da tarde do mesmo dia, três policiais militares foram ao apartamento e realizaram a limpeza do local.

No dia seguinte, outros dois policiais voltaram ao apartamento afirmando que buscariam munições pertencentes à vítima, mas não localizaram o material.

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