A Polícia Civil realiza uma operação em Aguaí, São Paulo, na manhã desta terça-feira, 17 de março de 2026, para combater o furto de cargas de açúcar e farelo de soja em ferrovias. A ação cumpre quatro mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão, resultando na prisão de três suspeitos.
A Operação Ouro Branco conta com a participação de 29 policiais da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Investigações Criminais (Deic). Durante as diligências, foram apreendidos veículos, sacos utilizados para transporte da carga furtada, dois simulacros de arma e outros materiais relacionados à atividade criminosa.
As investigações indicam que os produtos furtados pertencem à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA/VLI) e são transportados do interior paulista para o Porto de Santos, onde são exportados. Os criminosos acessam os vagões em movimento, abrem os compartimentos de carga e ensacam o material, que é lançado na linha férrea. Outros membros do grupo recolhem a carga com veículos e a transportam para galpões e sítios na região.
Nos locais de armazenamento, os produtos passam por um processo de descaracterização antes de serem revendidos no mercado formal, aparentando legalidade. O esquema criminoso foca principalmente em cargas de commodities, especialmente açúcar e soja, e atua na rota de escoamento do interior paulista até o Porto de Santos. Desde 2023, os ataques aumentaram significativamente, com prejuízos estimados em milhões de reais anualmente.
Além das perdas financeiras, a ação da quadrilha impacta a logística, gerando a indisponibilidade de produtos críticos no principal porto do país e causando gargalos no comércio internacional. A organização criminosa é estruturada em quatro frentes: vandalismo, coleta, logística e receptação. Os integrantes com conhecimento técnico sabotam os trens, enquanto coletores recolhem o açúcar despejado na linha férrea.
A logística envolve o transporte do material em veículos como vans e kombis, com armazenamento em imóveis e sítios. A equipe de receptadores opera galpões onde o açúcar é limpo, reensacado e inserido novamente no mercado com notas fiscais fraudulentas. O delegado Danilo Alexiades, responsável pela operação, afirmou que o grupo estava sendo investigado desde o final do ano passado, após denúncias de prejuízos milionários.
““O grupo já vinha sendo investigado desde o fim do ano passado, após denúncias de prejuízos milionários. Eles agiam diretamente nos vagões em movimento, retiravam a carga e lançavam na linha férrea para que outros integrantes fizessem o recolhimento”, explicou o delegado Danilo Alexiades.”
O nome da operação, Ouro Branco, refere-se ao alto valor e à facilidade de escoamento dos produtos furtados. “O açúcar, por exemplo, é uma mercadoria que, assim que subtraída, já tem comprador certo. Por isso, a alusão ao ‘ouro branco’, pela liquidez e rápida inserção no mercado”, acrescentou o delegado. As investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema criminoso e a operação segue em andamento.


