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Polícia Civil deve solicitar prisão de tenente-coronel após morte de PM em SP

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A Polícia Civil de São Paulo deve solicitar a prisão do tenente-coronel da PM, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, após reunião com representantes da Corregedoria da Polícia Militar. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, e teve como foco a investigação da morte da policial militar Gisele Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, na região do Brás.

Geraldo estava presente no local e foi quem acionou o socorro. Inicialmente, a morte foi registrada como suicídio, mas a investigação foi reaberta após o laudo necroscópico indicar lesões no rosto e no pescoço da vítima. De acordo com peritos, há indícios de que Gisele desmaiou antes de ser baleada e não apresentou defesa. O caso ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro.

O laudo descreveu as lesões como “contundentes” e compatíveis com pressão digital e arranhões. Durante a reunião, as provas coletadas foram consideradas suficientes para embasar um pedido de prisão temporária do tenente-coronel. A investigação está em andamento, e o corpo da PM foi exumado para novos exames no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital.

Na terça-feira, 10 de março, a Justiça de São Paulo redistribuiu o caso para uma Vara do Tribunal do Júri, que analisa crimes contra a vida, atendendo a um pedido relacionado à natureza do delito investigado.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o horário da morte. Uma vizinha relatou ter ouvido um disparo forte às 7h28, cerca de meia hora antes da primeira ligação do marido ao serviço de emergência, feita às 7h57, na qual ele afirmou que a esposa havia se suicidado. Às 8h05, ele contatou o Corpo de Bombeiros, informando que Gisele ainda respirava.

Outro aspecto questionado foi a posição da arma na mão da vítima, que parecia estar “bem encaixada”, algo incomum em casos de suicídio. Um socorrista que atendeu a ocorrência notou que o sangue já estava coagulado ao chegar ao apartamento e que não havia cartucho de bala no local.

Além disso, depoimentos de socorristas levantaram dúvidas sobre a versão apresentada por Geraldo. Ele afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas os bombeiros relataram que ele estava seco e não havia marcas de água no chão do apartamento. O tenente-coronel disse que entrou no banheiro por volta das 7h e ouviu um barulho que pensou ser uma porta batendo.

Os socorristas também notaram a falta de desespero de Geraldo, que falava calmamente ao telefone e questionava o atendimento. Ele não apresentava marcas de sangue, o que indicaria que não tentou prestar socorro à esposa. Além disso, ele fez uma ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, que chegou ao prédio às 9h07.

Uma câmera de segurança registrou a entrada e saída de três policiais no apartamento, que foram ao local cerca de 10 horas após a ocorrência para realizar a limpeza do imóvel. As policiais serão ouvidas na investigação.

A defesa do tenente-coronel afirmou que ele não é investigado ou indiciado e que tem colaborado com as autoridades. A defesa do desembargador informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo de Geraldo e que prestará esclarecimentos à polícia judiciária.

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