Ad imageAd image

Polícia Civil do RJ realiza operação contra lixões clandestinos em Jardim Gramacho

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) realiza, nesta sexta-feira (13), uma operação para investigar um esquema de descarte clandestino de lixo em Jardim Gramacho, localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A ação é conduzida por agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e cumpre 86 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do estado do Rio de Janeiro e em um município de Minas Gerais. Até o momento, duas pessoas foram presas em flagrante.

Os mandados estão sendo cumpridos na capital, em Duque de Caxias, Magé, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, São Gonçalo, Paracambi, Seropédica, Resende e Paty do Alferes, além de São Lourenço, em Minas Gerais. A operação foca em uma estrutura investigada por promover o descarte irregular de resíduos sólidos em áreas clandestinas.

De acordo com as investigações, agentes identificaram um fluxo frequente de caminhões realizando despejos ilegais na região. Durante as diligências, foram registrados acessos improvisados abertos para a entrada de veículos e avanço direto sobre áreas de manguezal, que são ecossistemas ambientalmente protegidos.

Embora exista um Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) no local, perícias indicaram que uma associação estaria recebendo materiais fora da área licenciada, incluindo lixo doméstico. Além desse ponto, outras três áreas próximas também foram identificadas como utilizadas para descarte irregular.

As apurações apontam indícios de ligação entre o grupo investigado e a facção criminosa Comando Vermelho (CV), que, segundo a polícia, teria favorecido a continuidade das atividades e possível cobrança para acesso às áreas utilizadas para o despejo.

Os investigadores afirmam que o descarte clandestino faz parte de um mercado ilícito voltado à redução de custos operacionais. O local regular mais próximo para a destinação de resíduos fica a cerca de 70 quilômetros da região, com tempo estimado de uma hora de deslocamento. O custo aproximado por viagem até esse destino seria de cerca de R$ 654, considerando combustível e transporte de carga de até seis toneladas.

No esquema investigado, o descarte irregular teria custo de R$ 25 por caminhão. A diferença de valores é apontada como um dos fatores que estimulam a utilização das áreas clandestinas.

A investigação envolveu monitoramento territorial, levantamentos técnicos ambientais, vigilância velada, registros de imagens e análise comparativa de imagens históricas. A partir desse trabalho, os policiais mapearam a expansão das áreas de despejo, identificaram veículos usados nas atividades, proprietários formais das áreas, vínculos empresariais e pontos considerados estratégicos para o funcionamento do esquema.

A operação visa reunir provas, identificar todos os envolvidos e desarticular a estrutura apontada como responsável pela expansão dos lixões clandestinos em Jardim Gramacho. Além disso, busca responsabilizar os participantes do esquema e apurar possíveis impactos ambientais e à saúde pública.

Compartilhe esta notícia