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Polícia desarticula esquema de venda ilegal de CNHs no Tocantins com seis médicos e uma psicóloga

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Civil desarticulou, nesta quarta-feira (11), uma organização criminosa suspeita de fraudar a emissão de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH) no Tocantins.

A operação, chamada ‘Sinal Vermelho’, revelou que seis médicos e uma psicóloga estão entre os suspeitos de integrar o grupo criminoso. Foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva e 59 de busca e apreensão.

Além dos profissionais da saúde, servidores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-TO) e instrutores de autoescolas também foram alvos da operação. Entre os presos, seis são servidores públicos, sendo que um deles foi localizado em uma chácara em Araguatins.

A polícia informou que os candidatos pagavam valores que chegavam a R$ 4,3 mil para obter a habilitação sem realizar as etapas obrigatórias do processo legal, como exames médicos e psicológicos, aulas teóricas ou provas práticas.

O esquema também incluía a regularização de veículos furtados, roubados ou clonados. A organização inseria dados falsos nos sistemas para emitir documentos de carros irregulares, suprimindo a obrigatoriedade da vistoria.

Os nomes dos investigados não foram divulgados, e o g1 não conseguiu contato com as defesas. O Detran informou que colaborou com as autoridades e já havia afastado servidores e suspendido atividades de credenciados suspeitos antes da operação.

““O reflexo disso é ter pessoas inabilitadas no trânsito. A habilitação era ideologicamente falsa, mas o documento era verdadeiro no sistema, o que impedia a fiscalização de identificar o erro na rua”, explicou o delegado responsável pelo caso, Márcio Lopes.”

As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Augustinópolis e cumpridas em várias cidades, incluindo Araguaína, Araguatins, Augustinópolis, Palmas, Guaraí, Sítio Novo do Tocantins e Ananás, além de Imperatriz (MA).

A investigação revelou que servidores da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretrans) manipulavam o sistema do Detran, inserindo dados falsos e simulando o comparecimento dos candidatos. Médicos e psicólogos atestavam a aptidão de candidatos que nunca compareceram às clínicas.

Instrutores de Centros de Formação de Condutores (CFC) registravam presenças fictícias, e servidores inseriam manualmente resultados “aprovados” em exames teóricos e práticos. Um funcionário de empresa terceirizada corrigia inconsistências para viabilizar a impressão do documento falso.

A investigação constatou que o esquema operava em diferentes Ciretrans, com digitais de servidores de unidades distintas aparecendo nos mesmos processos, indicando uma organização coordenada. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que as provas obtidas serão compartilhadas com a corregedoria do Detran-TO.

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