O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, declarou nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, que a instituição “investigará todos aqueles que tiverem que investigar”. A declaração se refere aos inquéritos em andamento sobre fraudes no banco liquidado Master, de Daniel Vorcaro, e as fraudes bilionárias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Durante um evento na Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), em São Paulo, Rodrigues afirmou que a PF “não será intimidada”. Ele ressaltou: “Reafirmo nosso trabalho técnico. A PF cumpre a Lei e a Constituição. Vamos investigar todos aqueles que tivermos que investigar, no devido processo legal”.
O diretor-geral enfatizou que a PF não se deixará intimidar por ninguém. “Afirmo e reafirmo a todos que vamos investigar e fazer nosso trabalho até o fim. Nós não vamos ser intimidados por ninguém, quem quer que seja”. Ele também mencionou que a PF tem sido alvo de “ataques covardes e inaceitáveis” nas redes sociais.
Rodrigues relembrou o inquérito do Master e destacou que “uma fraude de R$ 50, R$ 80 bilhões parece ter desaparecido”. Ele afirmou que a PF está focada em uma fraude no sistema financeiro que envolve “dezenas de bilhões” e que a investigação não irá parar até que todos os aspectos sejam esclarecidos.
Na semana passada, celulares e notebooks apreendidos durante as investigações do caso Master foram enviados à Superintendência da PF em São Paulo para acelerar a extração de dados e a perícia nos aparelhos. A PF informou que a maior parte dos equipamentos estava concentrada em Brasília e que o número de itens com perícia pendente varia entre 70 e 80 celulares, incluindo oito pertencentes a Vorcaro.
Além disso, a PF está investigando um envelope encontrado na casa de Vorcaro, que continha a palavra “Congresso” escrita à mão, levantando suspeitas sobre suas relações com parlamentares. Na primeira fase da operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, a PF não tinha acesso ao conteúdo do celular de Vorcaro e, portanto, não conhecia a extensão de suas ligações com o mundo político.
Outro inquérito em andamento, que também menciona o “andar de cima” da República, diz respeito ao INSS e está no Supremo Tribunal Federal (STF) devido a relações com políticos. O inquérito inclui menções ao nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A PF listou pagamentos que supostamente seriam destinados a Lulinha e enviou um pedido de quebra de sigilo bancário ao STF, que foi aprovado.
No relatório sob sigilo, a PF apontou supostos pagamentos de mesadas de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a Lulinha, por meio de uma amiga dele. A PF alega que Careca seria um sócio oculto, o que é negado por ele.


