Policiais do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, mataram a tiros Gustavo Guimarães, brasileiro de 34 anos nascido em Belo Horizonte, na noite de terça-feira, 3 de março de 2026. O incidente ocorreu em Powder Springs, no estacionamento de um shopping onde funciona um supermercado da rede Publix, após um chamado relacionado a uma crise de saúde mental.
De acordo com o Departamento de Investigação da Geórgia (GBI), os policiais encontraram Gustavo, residente da cidade de Acworth, e afirmam que ele sacou uma pistola durante a abordagem. Em resposta, os policiais dispararam, atingindo-o quatro vezes: três no peito e uma na nuca. Ele foi levado às pressas para um hospital local, onde foi declarado morto.
Um vídeo obtido por Michele Newell, chefe da sucursal do Canal 2 no Condado de Cobb, mostra funcionários do supermercado em pânico ao ouvirem os tiros. “Meu Deus, é uma cena de crime. Não, eles o mataram”, é possível ouvir no vídeo.
Gustavo possuía dupla nacionalidade e morava nos Estados Unidos há cerca de 20 anos. Nenhum policial ficou ferido no incidente, que está sob investigação do GBI. Após a conclusão, o caso será encaminhado ao Ministério Público do Condado de Cobb para análise, procedimento padrão em tiroteios fatais envolvendo a polícia.
O Departamento de Polícia de Powder Springs se manifestou em seu perfil no Facebook, afirmando: “Reconhecemos que situações envolvendo crises de saúde mental são extremamente difíceis para todos os envolvidos, e nossos pensamentos estão com a família e os entes queridos do indivíduo neste momento difícil.”
Dados estaduais indicam que este é o 16º incidente em que policiais respondem a ocorrências com tiros na Geórgia em 2026, sendo que oito desses casos foram fatais.
Um familiar de Gustavo, que não quis se identificar, contestou a versão dos policiais em entrevista ao jornal O Globo. “Concordo que a polícia deve agir quando ameaças perigosas colocam em risco suas vidas e a segurança de outras pessoas, mas essa narrativa não mostra o quadro completo e é imprecisa. Gus não tinha uma arma. Ele não é imigrante. Ele é cidadão dos Estados Unidos”, afirmou o parente.
Relatos da família indicam que Gustavo apresentava sintomas que levantaram suspeitas de esquizofrenia, mas nunca foi violento. Ele teria se oposto ao armamentismo e estava com a mãe no estacionamento do supermercado até a chegada da polícia. Na semana de sua morte, segundo parentes, Gustavo havia manifestado a intenção de buscar ajuda psicológica, levando sua mãe a acionar o 988, linha de apoio a pessoas em crise de saúde mental. Duas profissionais de saúde teriam encontrado Gustavo no estacionamento para avaliá-lo, meia hora antes da chegada dos policiais.

