A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a morte da médica Andréa Marins Dias, baleada em Cascadura, na Zona Norte do Rio, na noite de domingo (15). A suspeita é que três policiais tenham confundido o carro da vítima com o de criminosos durante uma perseguição.
De acordo com a Polícia Militar, agentes do 9º BPM (Rocha Miranda) perseguiam criminosos suspeitos de assaltos na região por volta das 18h. A corporação recebeu uma denúncia de que bandidos estariam utilizando um veículo T-Cross branco para cometer os roubos. Durante as buscas, os policiais localizaram um carro com características semelhantes em Cascadura.
Os policiais tentaram parar os veículos envolvidos, mas não obtiveram sucesso, iniciando uma perseguição com troca de tiros. Andréa, de 61 anos, havia acabado de sair da casa dos pais quando foi baleada dentro de seu Corolla, que parou na Rua Palatinado. Imagens mostram o momento em que os policiais abordam o veículo da médica e batem com um fuzil na porta do motorista.
Ao abrirem a porta, os agentes encontraram Andréa já sem vida. Uma testemunha gravou o momento em que o carro da médica foi cercado pelos policiais, com um agente gritando: “Desce irmão, vai morrer!”.
Um sargento e um subtenente da Polícia Militar reconheceram que seguiram um Corolla Cross na região. Os policiais envolvidos foram afastados preventivamente até a conclusão das investigações. A Polícia Militar instaurou um procedimento interno para apurar as circunstâncias da ocorrência e está coletando imagens de câmeras de segurança.
O caso foi registrado na Delegacia de Homicídios da Capital, que iniciou as investigações. As armas dos agentes e as câmeras corporais foram apreendidas, e uma perícia complementar foi realizada no veículo da vítima. Investigadores passaram o dia recolhendo imagens para entender a dinâmica dos fatos.
A médica Andréa Marins Dias era cirurgiã oncológica e especialista em endometriose, com quase 30 anos de experiência na área. Ela deixou a mãe de 91 anos, o pai de 88 anos e uma filha de 30 anos. O corpo da médica será enterrado na terça-feira (17) no cemitério do Caju, na Zona Portuária.
O Conselho Regional de Medicina (CRM) lamentou a morte de Andréa e pediu rigor na apuração do caso. A Unimed Nova Iguaçu, à qual a médica era associada, também expressou suas condolências à família, amigos e pacientes da vítima.

