A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou uma nota na tarde desta sexta-feira (13) sobre a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho. Os investigadores identificaram transações financeiras suspeitas que somam mais de R$ 100 mil, incluindo 11 depósitos em dinheiro vivo.
A defesa do vereador protocolou um pedido de habeas corpus, que ainda não foi analisado pela Justiça. Na quinta-feira (12), uma audiência de custódia manteve a prisão de Salvino, com o juiz Otávio Hueb Festa afirmando que o mandado de prisão temporária estava válido e que não houve ilegalidade na detenção.
Salvino foi preso na quarta-feira (11) durante uma operação da Polícia Civil. O delegado Vinicius Miranda, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, informou que a prisão foi solicitada após a polícia encontrar indícios de ligação do vereador com o Comando Vermelho. Ele destacou que mais detalhes serão apurados na investigação.
O governador Cláudio Castro afirmou nas redes sociais que Salvino é o “braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”. O vereador, por sua vez, negou todas as acusações e se declarou vítima de uma briga política.
O prefeito Eduardo Paes também se manifestou, afirmando que, se as suspeitas forem confirmadas, cobrará punição. Ele criticou o uso político das forças de segurança e mencionou que aliados do governo do estado já foram investigados por ligações com o crime organizado.
A operação, chamada Operação Contenção Red Legacy, foi deflagrada na quarta-feira (11) e visou a estrutura nacional do Comando Vermelho. Até o momento, 7 pessoas foram presas, incluindo 6 policiais militares e o vereador. Outros alvos da operação já estavam encarcerados.
As investigações apontam que Salvino teria buscado autorização do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para realizar campanha na comunidade da Gardênia Azul, dominada pelo Comando Vermelho. A polícia apresentou uma conversa no WhatsApp como parte das provas, embora não haja registro de diálogo direto entre Salvino e Doca.
Além disso, a investigação sugere que o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados como ações para a comunidade. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que Salvino se comunicava com o comando da facção por meio de um comparsa conhecido como “síndico” da associação local.
A Câmara de Vereadores do Rio declarou que acompanha os fatos e se coloca à disposição das autoridades para esclarecimentos necessários, reafirmando a confiança nas instituições e no devido processo legal.


