A Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Coxim solicitou à Justiça a revogação da prisão temporária do filho de 22 anos de Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, que foi morta a facadas em sua residência no dia 22 de fevereiro. O pedido foi feito após novas provas indicarem que o jovem não teria participado do crime.
Inicialmente, tanto o filho quanto o ex-marido da vítima, Márcio Pereira da Silva, de 46 anos, foram presos em flagrante e tiveram a prisão temporária decretada por até 30 dias. Essa decisão foi tomada devido a contradições nas primeiras versões apresentadas e ao histórico de agressões envolvendo o suspeito.
Com o avanço das investigações, a polícia reuniu novas evidências, incluindo imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas, que ajudaram a esclarecer os eventos da madrugada do crime. As provas reforçam a versão do filho da vítima.
De acordo com a polícia, ao cruzar as imagens das câmeras de monitoramento com os depoimentos, os investigadores conseguiram montar a cronologia da noite em que Nilza foi morta. Uma câmera de um vizinho registrou a vítima ainda em pé dentro da casa às 3h17. Outra câmera, que captou áudio, gravou uma discussão logo após a chegada de Márcio à residência, por volta das 3h.
Durante esse período, o filho da vítima foi visto circulando pelo lado de fora da casa e saiu para a rua por alguns minutos. Às 3h30, uma câmera registrou o momento em que ele deixou o local, dizendo: “meu pai acertou ela”. Para os investigadores, as imagens e a linha do tempo dos acontecimentos mostram que o jovem presenciou o que ocorreu, mas não participou do crime.
Enquanto a versão do filho foi corroborada pelas evidências, a polícia identificou inconsistências nas declarações de Márcio ao confrontar seus relatos com as imagens das câmeras e com o laudo necroscópico. Além disso, apesar do crime ter ocorrido por volta das 3h30, Márcio só saiu da casa para pedir ajuda às 4h17, momento em que Nilza já estava morta há cerca de 50 minutos.
Durante uma nova vistoria na residência, realizada no dia 5 de março, policiais encontraram uma faca escondida embaixo de um sofá próximo ao local onde a vítima foi encontrada. O objeto apresentava manchas compatíveis com sangue e pode ser a arma utilizada no crime.
Diante das conclusões da investigação, a delegacia também solicitou à Justiça que a prisão de Márcio seja convertida de temporária para preventiva. A decisão sobre os pedidos ainda será analisada pelo Ministério Público e pela Justiça, e a investigação deve ser concluída nos próximos dias, restando apenas alguns laudos periciais.


