A policial penal Thainá Santos, de 28 anos, tomou posse no cargo três anos após ser desligada do curso de formação por estar grávida. Durante esse período, Thainá continuou seus estudos e foi aprovada no concurso da Guarda Civil Municipal de Boa Vista.
Thainá foi convocada para assumir a vaga na Guarda Civil, mas decidiu aguardar e permanecer na Polícia Penal, que é um cargo estadual. Ao todo, foram oito anos dedicados aos estudos para concursos públicos até sua posse definitiva, que ocorreu na última quarta-feira, dia 4.
A trajetória de Thainá começou com a aprovação no concurso da Polícia Penal em 2020, onde ela iniciou o curso de formação prática. No entanto, no sétimo mês de gestação, foi desligada do processo por uma decisão administrativa da Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima (Sejuc), mesmo apresentando atestados médicos que comprovavam a saúde dela e do bebê.
Após ser desligada, Thainá enfrentou uma longa batalha para garantir o direito de concluir as etapas e assumir a vaga. “Foram noites de choro e desespero. Mas deu certo. Hoje, só quero trabalhar, dar o meu melhor e agradecer a Deus”, relembrou a policial.
O retorno ao curso foi possível em 2023, após a intervenção da Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher, do Ministério Público de Roraima. O órgão destacou que a eliminação de gestantes fere a Constituição Federal e as leis de proteção à mulher no mercado de trabalho. Com um acordo firmado entre o MP de Roraima e a Sejuc, Thainá conseguiu concluir sozinha as etapas práticas que faltavam, como aulas de tiro e defesa pessoal, quando seu filho já tinha 9 meses.
“Acredito que deveria haver adaptação para não prejudicar as mulheres. Um homem não seria desligado por ser pai, e eu fui desligada por ser mãe”, refletiu a servidora.
Thainá agora integra um grupo de 74 novos policiais penais empossados, aumentando o quadro efetivo da segurança prisional de Roraima para 877 servidores.


