A possibilidade do governo dos Estados Unidos classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas voltou a ser discutida. A questão surge às vésperas de uma possível visita do presidente Lula a Washington.
De acordo com informações obtidas pela correspondente em Washington, Mariana Janjácomo, o Departamento de Estado americano considera essas facções uma ‘ameaça regional’, mas não confirma oficialmente a intenção de designá-las como grupos terroristas.
A ideia de classificar o PCC e o CV como terroristas não é nova. Desde o ano passado, especulações sobre essa classificação têm circulado em momentos de tensão entre Brasil e Estados Unidos.
“‘Trump querer rotular facções como ‘terroristas’ é uma oportunidade’, disse Tarcísio.”
O governo americano já utiliza essa estratégia com outros grupos ligados ao tráfico de drogas na América Latina, o que concede aos EUA ferramentas adicionais de atuação, como o bloqueio de recursos financeiros e a possibilidade de operações militares conjuntas.
Em maio, uma delegação americana, chefiada por David Gamble, do Departamento de Estado, e Ricardo Pita, do Escritório de Assuntos de Hemisfério Ocidental, esteve no Brasil para discutir o tema com autoridades federais e estaduais. Enquanto o governo de São Paulo demonstra apoio à ideia, o governo federal brasileiro se opõe à classificação.
Recentemente, uma comissão de segurança interna na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos retomou a discussão, ganhando força entre republicanos que pressionam pela designação das facções brasileiras como grupos terroristas.
Especialistas apontam problemas técnicos na classificação de organizações criminosas com fins econômicos como grupos terroristas. A legislação antiterrorista brasileira define como terroristas entidades que agem por motivações ideológicas, políticas ou racistas, não por interesses econômicos.
“‘Nem toda situação gravíssima é uma situação de terrorismo’, alertam os analistas.”
Segundo eles, tratar o crime organizado como terrorismo pode prejudicar o combate eficaz a essas organizações, pois ignora suas especificidades e exige estratégias diferentes das aplicadas contra grupos terroristas tradicionais.


