Os preços do tomate longa vida apresentaram aumentos significativos nos principais entrepostos atacadistas do Brasil na primeira semana de março, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A alta nos preços reflete a redução da oferta nas centrais de abastecimento, resultado da desaceleração da safra de verão em regiões produtoras importantes.
Na capital paulista, a média do tomate foi de R$ 110 por caixa entre os dias 2 e 6 de março, um avanço de 55,2% em relação à última semana de fevereiro.
Em Belo Horizonte, o produto foi comercializado a R$ 106,84 por caixa, com alta de 45,7% no mesmo comparativo.
No Rio de Janeiro, os preços chegaram a R$ 128,75 por caixa, um aumento de 26,2%. O maior avanço foi registrado no atacado de Campinas, onde a cotação média atingiu R$ 140,71 por caixa, um salto de 85% em relação à semana anterior.
Segundo o Cepea, essa valorização ocorre em um momento de redução da oferta. A safra de verão está perdendo ritmo após o pico de colheita, especialmente na região de Caçador, em Santa Catarina, que é uma área produtora significativa.
Além da diminuição da oferta, a concentração da produção e da maturação dos frutos, impulsionada por temperaturas mais elevadas, resultou em um maior volume colhido em um curto período, seguido de uma queda momentânea da oferta disponível no mercado.
As chuvas recentes em polos produtores do Sudeste também têm afetado a qualidade e a disponibilidade do produto. Atacadistas relataram que as precipitações em regiões como Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo, causaram problemas nos frutos, como manchas e rachaduras, reduzindo o volume comercializável.
Com a menor oferta nos entrepostos, os preços reagiram rapidamente na primeira semana do mês. O mercado agora espera acompanhar o ritmo da colheita nas próximas semanas para avaliar se as cotações continuarão pressionadas ou se haverá recomposição da oferta.
A produção nacional de tomate é de 4,5 milhões de toneladas, obtidas de uma área de 60,5 mil hectares, distribuídos principalmente entre os estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.


