Os preços futuros dos grãos na Bolsa de Chicago encerraram a sessão de quinta-feira, 5 de março de 2026, com forte alta. O aumento foi impulsionado por uma combinação de fundamentos positivos e pelo aumento das tensões geopolíticas no cenário internacional.
A consultoria Royal Rural destacou que o mercado teve uma espécie de “super quinta” em Chicago, marcada pela convergência de fatores como forte demanda externa, valorização do petróleo e aumento do risco geopolítico. Esses elementos deram sustentação ao avanço das commodities agrícolas ao longo do dia.
No cenário macroeconômico, a alta do petróleo também contribuiu para o movimento positivo. A Royal Rural apontou que as cotações da energia voltaram a subir devido a preocupações com a segurança no Oriente Médio, especialmente após a paralisação quase total do tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
“Cerca de 300 petroleiros aguardam na região, enquanto ataques a embarcações continuam sendo registrados”, destacou a consultoria. “Caso o bloqueio persista, até 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado, pressionando os preços da energia e ampliando o apetite por ativos ligados a commodities”, informou a Royal Rural.
Os contratos futuros da soja fecharam em alta, com o vencimento para maio avançando 0,83%, cotado a US$ 11,7925 por bushel. Segundo a Agrinvest, a valorização do petróleo após os ataques ao Irã impulsionou os preços do óleo de soja, que atingiu o maior nível desde dezembro de 2022.
Os preços do milho também registraram forte valorização, com o contrato de maio subindo 2,20%, encerrando o dia cotado a US$ 4,5350 por bushel. O cereal liderou os ganhos entre os grãos em Chicago, impulsionado pelo forte desempenho nas vendas semanais de exportação reportadas pelo USDA, que superaram 2 milhões de toneladas.
Os contratos futuros do trigo também encerraram o pregão em alta, com o vencimento para março avançando 2,73%, cotado a US$ 5,8375 por bushel. De acordo com a Royal Rural, o cereal apresentou desempenho expressivo, com 2,031 milhões de toneladas comercializadas da safra 2025/26, evidenciando forte interesse internacional pelo produto dos Estados Unidos.
Além da demanda, o mercado também encontra suporte nas perspectivas de menor oferta global. Segundo o Conselho Internacional de Grãos (CIG), a produção mundial de trigo na safra 2026/27 pode cair cerca de 2%, para 824 milhões de toneladas, reflexo da redução da área semeada e da normalização dos rendimentos.

