A violência contra a mulher é uma realidade persistente em Goiás. Para enfrentá-la, o Jornal Opção realizou um levantamento com os 246 prefeitos e prefeitas do estado, questionando sobre as medidas adotadas para combater essa questão.
O resultado mostra um panorama complexo da rede de proteção às mulheres. O projeto “Maria da Penha nas Escolas”, idealizado pela professora Manoela Barbosa, já percorreu mais de 60 municípios, levando informação e educação preventiva sobre a Lei Maria da Penha e promovendo reflexões sobre respeito e cidadania.
Entretanto, a estrutura institucional para proteger mulheres é desigual. Apenas 28 dos 246 municípios possuem delegacias especializadas no atendimento à mulher, obrigando a maioria das vítimas a recorrer a delegacias comuns, que muitas vezes não têm equipes treinadas para lidar com esses casos.
Além disso, a política local em Goiás é majoritariamente masculina, com apenas 34 mulheres eleitas prefeitas nas últimas eleições. Muitas vezes, a pauta das mulheres é delegada à Secretaria de Assistência Social, que, em muitos casos, é ocupada por primeiras-damas.
Alguns municípios, como Valparaíso de Goiás, Cavalcante e São Domingos, criaram Secretarias da Mulher, focadas em políticas públicas de proteção e promoção de direitos femininos. Em Itaberaí, a prefeita Rita de Cássia Soares Mendonça é citada por sua gestão voltada às políticas sociais e à participação feminina.
O levantamento também revelou que nem todos os prefeitos responderam. Um caso emblemático foi o do prefeito de Cezarina, que afirmou que muitos conflitos entre homens e mulheres ocorrem porque “elas provocam”. Essa visão ultrapassada evidencia preconceitos que ainda persistem na classe política.
Entre as respostas recebidas, prefeitos relataram iniciativas como campanhas educativas e parcerias com delegacias. Contudo, ainda há um longo caminho a percorrer para que a proteção às mulheres seja efetiva em Goiás.
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), destacou que a capital mantém políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, incluindo a Patrulha da Mulher e uma Casa de Acolhida. Em Anápolis, a assessoria informou que a cidade conta com o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), que oferece acolhimento e orientação jurídica.
Em Aparecida de Goiânia, o prefeito Leandro Vilela (MDB) afirmou que a proteção das mulheres é prioridade, com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher funcionando 24 horas e programas de qualificação profissional. O município também instalou o Banco Vermelho, símbolo de conscientização contra o feminicídio.
No município de Aporé, o prefeito Leonardo de Moraes Carvalho (PP) informou que a gestão atua em parceria com instituições de proteção, oferecendo acompanhamento psicológico e orientação social. A cidade não possui delegacia especializada, e os casos são encaminhados para a comarca de Itajá, que conta com a Sala Lilás, destinada ao atendimento humanizado de vítimas de violência.

