Presidente da Confederação Asiática reafirma participação do Irã na Copa do Mundo

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A seleção do Irã planeja participar da Copa do Mundo de 2026, conforme afirmaram dirigentes da Confederação Asiática de Futebol (AFC) nesta segunda-feira, 16. A declaração ocorre apesar das advertências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os riscos para os atletas devido à guerra com os Estados Unidos e Israel.

Trump declarou na semana passada que a ‘vida e segurança’ da equipe poderiam estar em perigo caso participassem do torneio, que ocorrerá de 11 de junho a 19 de julho, nos Estados Unidos, Canadá e México. O Irã, que está no grupo G, terá todos os seus jogos realizados em território americano.

A guerra, iniciada por ataques americanos e israelenses contra o Irã em 28 de fevereiro, levantou dúvidas sobre a participação do país, que já está classificado. A seleção iraniana foi a terceira do mundo a garantir sua vaga no mundial, na terceira fase das Eliminatórias da Ásia, ao terminar em primeiro lugar em seu grupo.

Se a participação for confirmada, será a sétima vez que o Irã compete no torneio, sendo a quarta consecutiva. ‘Até onde sabemos, o Irã vai jogar’, afirmou Windsor Paul John, secretário-geral da AFC. ‘Estamos monitorando se jogarão ou não, mas, no momento, eles vão jogar. Não há informação oficial de que não vão participar’, declarou durante coletiva na sede da AFC em Kuala Lumpur.

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““Esperamos que resolvam seus problemas… e que possam participar da Copa do Mundo”, afirmou Windsor.”

Em uma publicação na plataforma Truth Social, Trump disse que a seleção iraniana era bem-vinda, mas questionou a adequação de sua participação para a segurança e o bem-estar dos atletas. A seleção iraniana respondeu ao presidente dos Estados Unidos com um comunicado no Instagram do Team Melli, no dia 13:

““Ninguém pode excluir a seleção do Irã da Copa do Mundo; o único país que poderia ser excluído é aquele que apenas ostenta o título de ‘anfitrião’, mas carece da capacidade de garantir a segurança das equipes que participam deste evento global.””

Na semana passada, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, expressou dúvidas sobre a participação do Irã na Copa do Mundo de 2026, questionando:

““Como ser otimista nestas condições em relação à Copa do Mundo nos Estados Unidos? Se a Copa do Mundo acontecer nestas condições, quem em sã consciência enviaria sua seleção nacional para um lugar assim?””

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A seleção feminina iraniana, que participou recentemente da Copa da Ásia, deixou a Malásia nesta segunda-feira, 16, com destino a Omã, antes de retornar ao Irã. Cinco atletas da equipe permaneceram na Austrália, onde o torneio foi realizado, e solicitaram asilo. O governo australiano concedeu vistos humanitários às atletas.

Durante a competição, as jogadoras ficaram em silêncio durante o hino nacional iraniano em seu jogo de estreia. Após serem chamadas de ‘traidoras’ por críticos em seu país, cantaram o hino nas duas partidas seguintes, sob suspeita de coerção de agentes do governo iraniano. As atletas que pediram asilo fugiram do hotel onde a delegação estava hospedada com a ajuda de um policial infiltrado. Outras duas jogadoras também optaram por ficar na Austrália, mas ainda não tiveram os vistos confirmados.

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