O presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, colocou em dúvida a participação do país na Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A declaração foi feita após a Austrália conceder asilo a cinco jogadoras da seleção feminina iraniana.
Taj afirmou: “O presidente americano escreveu dois tuítes para pedir que fosse concedido asilo político a nossas jogadoras (…), e que se a Austrália não o fizesse, ele faria. Ele fez 160 mártires ao matar nossas crianças em Minab e agora está sequestrando nossas meninas. Como podemos ser otimistas nessas condições em relação à Copa do Mundo nos Estados Unidos?”.
O presidente da FFIRI referiu-se a um suposto bombardeio contra uma escola na cidade de Minab, atribuindo a responsabilidade a Israel e aos Estados Unidos. Ele questionou: “Se a Copa acontecer nessas condições, quem em sã consciência mandaria sua seleção nacional para um lugar assim?”.
O Irã tem agendados dois dos seus três jogos da fase de grupos do Mundial em Los Angeles, contra Bélgica e Nova Zelândia, e um em Seattle, contra o Egito.
A Austrália concedeu asilo a cinco jogadoras da seleção feminina iraniana, que foram chamadas de “traidoras” pelo regime de Teerã após se recusarem a cantar o hino nacional antes de um jogo da Copa da Ásia. Essa decisão foi motivada pelo risco de perseguição ao retornarem ao Irã, conforme anunciou o ministro do Interior australiano, Tony Burke.
As jogadoras permaneceram em silêncio durante a execução do hino do Irã antes da estreia contra a Coreia do Sul, dois dias após o início da guerra. Nos dois jogos seguintes, elas cantaram o hino. Essa atitude foi vista como um ato de rebeldia, e um apresentador da televisão estatal as chamou de “traidoras em tempos de guerra”.
Várias pessoas, incluindo o presidente americano, Donald Trump, pediram à Austrália que garantisse a segurança das jogadoras iranianas. Trump comentou: “Já estão cuidando de cinco delas, e as demais seguirão o mesmo caminho. Algumas, no entanto, sentem que devem retornar [ao Irã] porque temem pela segurança de suas famílias”.
Na semana passada, Taj já havia levantado dúvidas sobre a participação do Irã na Copa do Mundo, que será realizada de 11 de junho a 19 de julho.


