O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, publicou um comunicado nesta quarta-feira, 4 de março, justificando os ataques contra alvos em nações do Golfo Pérsico realizados desde o último domingo. Ele afirmou que Teerã “não teve outra escolha” a não ser retaliar após uma ofensiva promovida por Estados Unidos e Israel.
“Respeitados líderes de nossos países amigos e vizinhos, tentamos evitar a guerra com a ajuda de vocês e por meio da diplomacia, mas o ataque militar americano-sionista não nos deixou outra escolha senão nos defender”, declarou o presidente.
A justificativa de Pezeshkian ocorre após o primeiro-ministro catari, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, rejeitar alegações iranianas de que apenas alvos militares teriam sido atingidos. Em conversa com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ele afirmou que os ataques atingiram áreas civis e residenciais no Catar, incluindo regiões próximas ao Aeroporto Internacional de Hamad, infraestruturas vitais e zonas industriais.
“Isso constitui uma violação flagrante da soberania do Estado do Catar e dos princípios do direito internacional”, disse o primeiro-ministro catari.
Desde o início do conflito, no sábado, 28 de fevereiro, pelo menos nove países do Oriente Médio foram alvos de mísseis iranianos: Bahrein, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Sete dessas nações assinaram um comunicado conjunto com os EUA dois dias depois do início do conflito, acusando Teerã de violar sua soberania e atacar civis.
Segundo o Crescente Vermelho, mais de 1.045 pessoas morreram no Irã desde o início do conflito, com mais de mil bombardeios lançados contra 153 cidades iranianas. Em contrapartida, Israel registrou pelo menos 11 mortos, e os ataques retaliatórios iranianos resultaram em 11 mortes nos países do Golfo.
Há relatos também de ao menos seis soldados americanos mortos.
Na terça-feira, 3 de março, um comandante da Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o Irã poderá atingir “todos os centros econômicos” do Oriente Médio caso Estados Unidos e Israel mantenham bombardeios. O general Ebrahim Jabari alertou que, se os adversários mirarem infraestruturas estratégicas do Irã, a reação de Teerã não ficará limitada ao seu território.
Jabari também mencionou o Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre o Irã e Omã por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Ele já havia afirmado que qualquer navio que tentar ultrapassar o bloqueio imposto por Teerã será incendiado.
Economistas alertam que a situação pode gerar um terceiro choque petrolífero, com o barril de petróleo podendo atingir 110 dólares. Qualquer interrupção duradoura no tráfego do Estreito de Ormuz teria importantes implicações para a inflação e a estabilidade econômica global.
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