O presídio militar Romão Gomes, localizado em São Paulo, abriga o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, detido pelo feminicídio da esposa, a soldado PM Gisele Alves Santana. Este centro de detenção é destinado a policiais militares condenados pela Justiça Comum e Militar.
Um decreto da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), publicado em 1957, estabelece que além dos militares condenados, também podem ser recolhidos aqueles que estão respondendo a processo, à disposição da Justiça e submetidos a medidas de segurança detentiva. O presídio possui quatro seções: uma para presos condenados a penas de reclusão e detenção, outra para condenados à pena de prisão, uma terceira para detidos à disposição da Justiça e uma Seção Agropecuária, destinada ao trabalho dos internos.
A detenção funciona como uma unidade independente dentro da PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo) e é subordinada ao Juiz Auditor da Justiça Militar. Administrativamente, o presídio responde ao Comando Geral da PM, sendo dirigido por um Capitão e auxiliado por um tenente, que exercem as funções de diretor e vice-diretor, respectivamente. O Romão Gomes possui uma área fechada, com entrada permitida somente mediante autorização, e o consumo de álcool é proibido.
Atualmente, o Romão Gomes abriga cerca de 156 internos, sendo 154 homens e duas mulheres, nos regimes fechado e semiaberto. Os detentos seguem uma rotina rígida, definida no regulamento disciplinar, apresentando-se pela manhã, por volta das 7h, aos superiores com a barba feita, roupas passadas e botas engraxadas. Aqueles que não respeitam as normas de hierarquia e disciplina militar ou que descumprem as regras da Lei de Execução Penal podem ser transferidos para um presídio comum.
O comportamento dos presos é avaliado na saída do presídio, com um relatório sobre conduta e caráter, que pode influenciar na expulsão da corporação. Os internos têm a possibilidade de trabalhar e receber por isso, mas 2/3 do dinheiro adquirido é guardado e pode ser retirado somente ao saírem. Além disso, recebem 1/3 do salário enquanto ainda estão presos, e tarefas básicas não são remuneradas.
O presídio promove atividades laborais para a remição da pena, permitindo que os internos trabalhem em diversas funções, como no lava-rápido, na horta, na padaria, no apiário, e na criação de galinhas e patos. Verduras, ovos e mel são comercializados no local. Os detentos também podem trabalhar com carteira registrada em uma empresa que fabrica peças para carros, instalada dentro do presídio. A cada três dias trabalhados, a pena é reduzida em um dia.
Os internos do regime fechado e semiaberto têm direito à remição da pena, e cerca de 80% deles trabalham. O salário mensal é distribuído da seguinte forma: 60% destinados à família, 20% ao próprio presídio, 10% em uma poupança em nome do interno e 10% para aqueles que não podem trabalhar. A remição também pode ocorrer por meio do estudo, com cursos oferecidos em parceria com a FATEJ (Faculdade de Tecnologia Jardim), onde a cada 12 horas de estudo, um dia é abatido da pena. A leitura de livros também permite a remição, com um limite de até 12 livros por ano.
O Presídio Militar Romão Gomes, também conhecido como Barro Branco, foi criado em 1957 para recolher policiais militares que cometeram crimes. Durante a ditadura, uma de suas alas foi destinada a presos políticos condenados pela Justiça Militar, e em 1975, os presos do Barro Branco escreveram uma das mais contundentes iniciativas de denúncia das violências da ditadura.

