O governo federal anunciou o início das obras da primeira ferrovia por autorização, após quase cinco anos de espera. O ramal de 54 quilômetros, da empresa chilena Arauco, está localizado em Mato Grosso do Sul e visa facilitar o escoamento da produção local pelo porto de Santos, em São Paulo.
Este projeto representa a primeira malha totalmente privada sob o modelo de autorização ferroviária que avança para a fase de implantação. As obras começaram em fevereiro de 2026. O governo considera este projeto um marco simbólico para a política de autorizações, embora o ministro dos Transportes, Renan Filho, tenha afirmado que não há expectativa de priorizar esse modelo de investimento.
O ministério opta por leilões de concessões e já anunciou oito deles. A nova política de autorizações ferroviárias foi lançada em agosto de 2021, através da medida provisória (MP 1.065), convertida em lei, com o objetivo de impulsionar um megaprograma de investimentos em ferrovias.
As ferrovias podem ser construídas e operadas pela iniciativa privada mediante autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), desde que cumpram requisitos como licenciamento ambiental. Atualmente, 42 projetos têm permissão da ANTT para serem instalados, embora muitos tenham desistido ou expirado antes da autorização.
Guilherme Sampaio, diretor-geral da ANTT, comentou que o modelo está “começando a dar certo”, embora não tenha ocorrido o esperado “boom” de 2021. Ele destacou que a ferrovia da Arauco é uma opção importante para o setor.
A ferrovia atenderá o Projeto Sucuriú, que envolve um investimento de US$ 4,6 bilhões para a construção da maior fábrica de celulose do mundo em Inocência (MS), com capacidade de 3,5 milhões de toneladas por ano. O ramal ferroviário terá 45 quilômetros, além de nove quilômetros de trilhos internos na fábrica, conectando-se à Malha Norte operada pela Rumo.
O investimento na infraestrutura ferroviária é estimado em R$ 2,4 bilhões, e a conclusão da ferrovia está prevista para o segundo semestre de 2027, acompanhando o início das operações industriais. Segundo Alberto Pagano, diretor de Logística e Suprimentos da Arauco, a escolha pelo modal ferroviário visa eficiência, segurança e sustentabilidade, com expectativa de reduzir em até 94% as emissões de CO2 e retirar cerca de 190 viagens diárias de caminhões das rodovias da região.


