Primeira transfusão de sangue entre onças-pintadas é realizada em SP

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma onça-pintada de 18 anos, chamada Jack, passou pela primeira transfusão de sangue já registrada entre animais da mesma espécie no Brasil. O procedimento foi realizado em um hospital veterinário no interior de São Paulo, visando salvar o felino que enfrenta um quadro grave de doença renal.

Jack estava anêmico e debilitado, sem condições de iniciar a hemodiálise, tratamento necessário para compensar a falha dos rins. A alternativa encontrada pelos veterinários foi recorrer ao sangue de outra onça-pintada saudável, Ruana, uma fêmea jovem que vive em um zoológico na capital paulista.

Jack nasceu no Pará e passou por diferentes estados até chegar, no ano passado, a Sorocaba, em São Paulo. Com o estado de saúde exigindo ação imediata, o veterinário Gabriel Corrêa de Camargo destacou que “é típico de um animal que está em crise por conta da doença renal”.

Antes da coleta, os veterinários precisaram identificar a compatibilidade sanguínea entre os animais, etapa essencial para evitar rejeição. A veterinária Maria Fernanda Gondim afirmou: “É uma coisa inédita aqui no Brasil, não tem nenhum registro”. No Brasil, 89 onças-pintadas vivem sob cuidados humanos em instituições que participam de programas de conservação.

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A escolha da doadora Ruana foi feita por ser jovem e saudável. A coleta foi realizada com um dardo com anestésico aplicado à distância. Após a sedação, a onça foi levada a um hospital veterinário, onde teve o sangue coletado sob monitoramento.

Após o teste de compatibilidade, que resultou em compatibilidade, a transfusão começou sob anestesia. Gabriel Corrêa de Camargo alertou sobre os riscos: “A anestesia é sempre um risco, ainda mais um animal convalescente”. Duas horas depois da transfusão, Jack acordou e, no dia seguinte, já apresentava sinais de melhora.

A expectativa agora é que ele passe por hemodiálise. Além de tentar salvar Jack, o procedimento abre caminho para novos tratamentos em animais silvestres. Gabriel afirmou que “a publicação serve como subsídio” e Maria Fernanda Gondim destacou a importância de manter populações saudáveis para futuras reintroduções.

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