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Prisioneiros alemães construíram bairro em Goiânia após acordo com governo inglês

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Cerca de 50 prisioneiros da Alemanha nazista, que participaram da construção do Setor Jaó, chegaram a Goiânia em 1950. A vinda deles ocorreu após um acordo entre o governador Coimbra Bueno e o governo inglês, conforme estudo da arquiteta Mariana Vieira.

O Setor Jaó, um dos bairros mais nobres e tradicionais da capital, foi inspirado em padrões urbanísticos alemães anteriores à Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, a ideia era que os prisioneiros ficassem na antiga casa de prisão estadual, mas para evitar repercussões na imprensa, eles e suas famílias foram levados para acampamentos improvisados às margens do Rio Meia Ponte, na Fazenda Retiro.

No local, o governador de Goiás designou um engenheiro para coordenar o projeto do novo bairro. O loteamento foi oficialmente aprovado em 1952, e um dos principais autores do projeto foi um alemão chamado Sonenberg. A planta do bairro foi assinada pelo engenheiro Tristão Pereira da Fonseca, uma vez que os construtores alemães não possuíam cadastro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).

O Setor Jaó, situado na região norte da capital, foi estruturado na antiga Fazenda Retiro, às margens do Rio Meia Ponte e do Córrego Jaó. O surgimento do bairro ocorreu em um período de rápido crescimento de Goiânia, que necessitava de expansão. O projeto do loteamento priorizava áreas verdes, ruas curvas e lotes grandes, focando em moradias.

O loteamento foi entregue com infraestrutura básica e promessa de crescimento. Contudo, foi somente na década de 1960, com a construção do Clube de Regatas Jaó, que o bairro começou a atrair mais moradores, especialmente famílias em busca de um local tranquilo, mas próximo ao Centro da cidade.

A doutora em Arquitetura e Urbanismo e professora da PUC Goiás, Sandra Catharinne, comentou que há registros do projeto original do Bairro Jaó que indicam a participação de profissionais estrangeiros na sua concepção e construção. Documentos mostram que imigrantes europeus, além de alemães, poloneses e pessoas de outros países próximos à Alemanha, estiveram envolvidos nesse processo, tendo sido convidados a vir para Goiânia durante a construção da cidade.

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