Moradores de Alter do Chão, distrito a cerca de 37 km de Santarém, no Pará, relatam problemas graves no atendimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) 24h. A situação se agravou após a morte de um paciente de 62 anos, identificando falhas no serviço de saúde local.
O idoso, Zelinaldo Ferreira Silva, chegou à UBS na manhã de segunda-feira (16) com sintomas de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Apesar de uma ficha indicar a presença de médicos, não havia nenhum profissional na unidade. Além disso, a UBS não dispunha de ambulância, essencial para a situação de emergência do paciente.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram moradores reclamando da demora na chegada da ambulância do Samu, que foi acionada antes das 11h, mas chegou somente após as 13h. Zelinaldo sofreu uma parada cardiorrespiratória logo após a chegada da ambulância. Seu irmão, Wellington Ferreira, relatou que a equipe da UBS havia solicitado ajuda, mas enfrentou dificuldades com a comunicação e a falta de oxigênio adequado na ambulância.
““A equipe da UBS ligou para o Samu antes das 11h30. Eu liguei e disseram que a UBS já tinha solicitado. Depois, liguei mais duas vezes e desligaram na minha cara”, disse Wellington.”
Wellington também afirmou que, ao chegar, a ambulância não tinha oxigênio disponível. “Nós perguntamos para o enfermeiro do Samu se havia oxigênio na ambulância, e ele disse que tinha 100 libras. Nós entramos lá e abrimos a garrafa, mas ela estava vazia”, relatou.
Jecilaine Borari, irmã de Zelinaldo, mencionou que havia dois médicos em outra unidade de saúde que foram chamados, mas só chegaram horas depois, quando já não havia mais o que fazer. “Foi uma negligência. A enfermeira que estava de plantão pediu ajuda; havia dois médicos em outra UBS e nenhum quis ir”, afirmou.
A Prefeitura de Santarém, em nota, explicou que o Samu estava atendendo outras ocorrências simultâneas no município, incluindo vítimas de acidentes de trânsito. A prefeitura informou que uma equipe foi enviada à UBS assim que houve disponibilidade de ambulância, mas o paciente não resistiu.
Em fevereiro, um caso semelhante ocorreu quando um homem passou mal e morreu em Alter do Chão, levando a comunidade a questionar a falta de ambulância. A prefeitura argumentou que a morte não poderia ter sido evitada, independentemente da presença de ambulância.
A situação da saúde em Alter do Chão se tornou um ponto de tensão entre a comunidade e a gestão municipal. O sociólogo Marlos Rodrigo destacou que, apesar de anúncios de entrega de ambulâncias, a população continua desassistida. “A partir de janeiro de 2025, a única ambulância que operava na vila desapareceu”, afirmou.
Rodrigo também criticou a ineficiência dos atendimentos de emergência, onde profissionais ainda utilizam arquivos físicos e fichas manuais, expondo a desconexão entre os investimentos anunciados e a realidade operacional.


