O Brasil está ampliando sua produção agrícola, o que pode fortalecer a geração de bioenergia no país. A avaliação é da Fex Agro, rede de revendas de insumos em Mato Grosso, em meio a um cenário global de volatilidade no mercado de petróleo.
Daniel Barbosa, CEO da Fex Agro, destaca que o avanço da colheita de grãos aumenta a oferta de matérias-primas para energia renovável. Ele afirma:
““Num ambiente em que o mundo volta a perceber o quanto ainda depende do petróleo, o Brasil apresenta uma combinação difícil de replicar: uma safra em grande escala, uma base energética renovável consolidada e capacidade industrial para agregar valor dentro da própria cadeia produtiva.””
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que mais de 50% da área de soja, a principal cultura agrícola do Brasil, já foi colhida. Barbosa acredita que essa expansão reforça a disponibilidade de insumos para diversas rotas energéticas, como etanol, biodiesel e biometano.
Ele ressalta:
““O país colhe grãos, mas também amplia a oferta de matéria-prima para etanol, biodiesel, biometano e novas alternativas energéticas. Poucos países possuem um programa de biocombustíveis tão avançado quanto o brasileiro, o que aumenta a resiliência diante de choques externos.””
A discussão sobre biocombustíveis é especialmente relevante após a COP30, que resultou no documento “Mapa do Caminho para a Redução Gradativa da Dependência dos Combustíveis Fósseis”, propondo o aumento do uso de etanol, biodiesel e hidrogênio de baixa emissão de carbono até 2040.
Barbosa afirma que a atual conjuntura internacional pode reforçar a importância do modelo energético brasileiro:
““Quando petróleo, frete e segurança logística voltam ao centro do debate global, países capazes de produzir energia a partir do próprio campo passam a ter outro peso econômico. O Brasil já tem essa estrutura e ainda possui espaço para expandi-la.””
Ele também defende uma maior visibilidade internacional para a sustentabilidade da produção agrícola brasileira, que ainda é pouco reconhecida fora do país. O etanol brasileiro, além da produção tradicional a partir da cana-de-açúcar, também se beneficia do modelo baseado no milho, que gera DDG, um insumo proteico para nutrição animal.
Barbosa conclui:
““O milho sintetiza bem esse novo entendimento sobre as energias renováveis: da mesma matéria-prima saem energia, proteína e valor industrial. É uma cadeia que responde simultaneamente a três demandas globais — energia, alimento e eficiência produtiva.””


