No Dia do Circo, celebrado em 27 de março, o professor de Educação Física, Tássio Santos da Silva, de 37 anos, conhecido como Palhaço Pipoca, compartilha sua trajetória de levar arte e humor a comunidades carentes no Acre.
Morador de Plácido de Castro há dez anos, Tássio começou sua jornada no picadeiro durante atividades escolares. Um episódio marcante ocorreu em uma escola de Cruzeiro do Sul, onde uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) chorou de emoção ao vê-lo, o que o motivou a se dedicar à palhaçaria.
“A infância, em muitos lugares, é atravessada por responsabilidades muito cedo. Quando a gente leva arte e alegria, não é só entretenimento, é restituição de um direito”, ressaltou.
O Palhaço Pipoca atua há mais de sete anos em escolas urbanas e rurais, eventos e projetos sociais. Sua agenda inclui apresentações em ações organizadas pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), aniversários e bairros com pouco acesso à cultura.
Tássio descreve sua rotina como puxada, dividindo seu tempo entre aulas, recreação e estudos de técnicas circenses. “Quando eu chego em comunidades onde o acesso à arte quase não existe, eu me coloco ainda mais no papel de acolher. Ali, não é só espetáculo. É como se eu precisasse abrir caminho primeiro, criar confiança”, explicou.
O trabalho como palhaço complementa sua renda, e ele participa de editais públicos de cultura. Nos espaços mais vulneráveis, o sentido do personagem ganha outra dimensão, onde a apresentação se torna um encontro e não apenas uma performance.
Tássio observa que, em muitos casos, aquela é a primeira experiência das crianças com uma apresentação artística. “A arte abre possibilidades, amplia o horizonte e traz autoestima. Às vezes, em uma hora de espetáculo, a criança vive algo que nunca teve”, afirmou.
O Palhaço Pipoca é inspirado por referências da palhaçaria contemporânea, focando na interação e acolhimento, especialmente com crianças tímidas ou com necessidades específicas. “O nariz vermelho me lembra que, para muitas crianças, aquele momento pode ser o melhor do dia”, destacou.
Nos bastidores, o trabalho conta com a colaboração de três pessoas: Gilberto Pais, responsável pela elaboração de projetos; Marines Camelo, intérprete de Libras; e Emily Menezes, esposa de Tássio e diretora das apresentações. Para ele, o trabalho vai além do entretenimento, encontrando quem mais precisa.
““Tem lugares em que eu percebo que estou chegando não só como artista, mas como um adulto que olha, que escuta e que respeita”, finalizou.”

