Um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) foi demitido após denúncias de abuso sexual feitas por estudantes. A demissão foi publicada no Diário Oficial da União e ocorreu após um processo administrativo que apurou as denúncias.
Seis alunas relataram situações de assédio envolvendo o docente da Faculdade de Veterinária, Victor Rezende Moreira Couto. O professor foi considerado culpado por violação do dever funcional e por usar o cargo para proveito pessoal em detrimento da dignidade da função pública.
A primeira denúncia foi feita por uma ex-aluna que relatou episódios ocorridos em 2017. Ela mencionou comportamentos inadequados do professor, como pegar no cabelo e no braço. A estudante também afirmou que o professor tentou ficar sozinho com ela em algumas situações, sugerindo que fossem a um motel após uma atividade na fazenda escola.
““No meio do caminho ele sugeriu que a gente fosse pra um motel que tinha na estrada. Aquilo me assustou muito”, afirmou a ex-aluna.”
Em 2023, a ex-aluna foi procurada por outras cinco estudantes que relataram situações semelhantes. Uma das alunas comentou que os relatos começaram a circular entre os alunos quando surgiram informações sobre a abertura do processo administrativo.
““Todos sabiam, mas não tinham certeza até que começaram a aparecer as vias de fatos, que estava sendo aberto processo”, disse.”
A advogada Patricia Zapponi, que representa as seis estudantes, afirmou que o professor usou sua posição na universidade para obter vantagens de cunho sexual. Ela destacou que o professor dizia que, se as alunas não ficassem com ele, não teriam oportunidades de trabalho.
““Ele dizia que, se as meninas não ficassem com ele, elas não iam ter oportunidade de trabalho, que era um meio masculino e que ele era um homem muito influente”, afirmou.”
A demissão é resultado de um processo administrativo disciplinar, enquanto as denúncias ainda estão sendo investigadas pela polícia. A advogada ressaltou que a punição administrativa é um primeiro passo.
““Com essa exoneração já configura efetivamente o crime com todos os depoimentos que foram vastamente esmiuçados. Isso causou danos severos psicológicos”, disse.”
Uma das vítimas relatou que, após os episódios, passou a se sentir culpada pela situação.
““Na verdade eu me sentia muito culpada da situação toda. Eu achava que eu tinha feito ele entender que eu gostaria de algo com ele”, relatou.”
A TV Anhanguera tentou contato com o professor, mas ele não atendeu às ligações nem respondeu às mensagens. A UFG informou que ainda não foi notificada oficialmente pelo Ministério da Educação sobre a decisão e que poderá se manifestar após a devolução formal do processo.


