Ad imageAd image

Professor da Unicamp analisa acidentes na Serra de São Pedro após quatro ocorrências

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

A Serra de São Pedro, localizada em São Paulo, registrou quatro acidentes em menos de 15 dias na Estrada Municipal Elísio de Paula Teixeira. O trecho, que possui cerca de cinco quilômetros, exige atenção redobrada dos motoristas devido ao seu percurso inclinado e perigoso.

Segundo Luis Vicente, professor da Unicamp e pós-doutor em engenharia de transportes, a falta de acostamento em alguns trechos, placas cobertas pelo mato ou caídas, e a falta de habilidade na condução de veículos contribuem para os acidentes. Ele observou que, nas ocorrências mais recentes, não houve colisões, mas sim perda de direção, frequentemente relacionada ao excesso de velocidade e curvas acentuadas em declive.

“”E o que vimos nas análises dos últimos quatro acidentes noticiados é que todos se assemelham à perda de direção. Então, não foi uma colisão entre veículos. A perda de direção está relacionada a não se atentar aos limites de velocidade e aos riscos relacionados à gravidade de fazer uma curva acentuada em declive”, explica Luis Vicente.”

Durante uma análise do trecho, Luis Vicente notou que o mato cresceu e cobriu uma placa que alerta sobre a restrição para caminhões acima de três eixos. Outra placa que indicava a velocidade máxima estava caída. Esses detalhes podem ameaçar a segurança dos motoristas que utilizam a serra.

No início da subida, a ausência de acostamento aumenta a chance de colisões em caso de deslize nas curvas. Luis Vicente ressaltou que, mesmo com a conservação da pista, a falta de área de escape é um fator de risco significativo.

“”Por mais que haja conservação, por não ter acostamento, qualquer deslize que nós tenhamos no momento de fazer uma curva, você não tem uma área de escape. E o fato de não termos uma área de escape, a chance de uma colisão é muito grande”, diz Luis Vicente.”

O trecho é estreito, com largura inferior a quatro metros, o que também representa um risco. As placas ao longo da serra alertam sobre a redução de velocidade necessária e o uso do freio motor. O professor destacou que descer a serra com o câmbio no ponto morto aumenta o risco de acidentes, pois reduz a estabilidade do veículo.

“”Descer com o câmbio neutro, seja o veículo manual, seja automático, a perda de estabilidade e não conseguir fazer a curva, ela é muito alta por uma questão física. A tração do veículo faz com que ele permaneça na via. O fato de ele ficar solto na via ocasiona acidentes graves”, diz Luis Vicente.”

Na última sexta-feira (6), uma carreta carregada com 30 toneladas de papel tombou no trecho, deixando o motorista preso às ferragens. Em 2 de março, um carro capotou próximo a um espaço gastronômico, e em 16 de fevereiro, um carro ocupado por nove pessoas capotou, sendo que o motorista não possuía habilitação. Em 18 de fevereiro, um micro-ônibus com 13 pessoas tombou após perder o freio em uma curva acentuada, resultando em duas vítimas gravemente feridas.

O professor fez duas recomendações urgentes para melhorias na estrada. A primeira é antecipar o ponto de redução de velocidade para 30 km/h, permitindo que os motoristas se preparem para o declive acentuado. A segunda é instalar fiscalização eletrônica por radar antes do trecho crítico.

“”Então, trabalhos de conscientização com as pessoas, principalmente nos finais de semana, para que as pessoas mudem essa mentalidade e comecem a seguir”, finaliza Luis Vicente.”

A Prefeitura de São Pedro informou que está acompanhando os registros de acidentes e adotando medidas para aumentar a segurança na rodovia. Entre as ações estão o reforço da sinalização vertical e horizontal, instalação de sonorizadores e ampliação do sistema de videomonitoramento.

Compartilhe esta notícia