Projeto social ensina defesa pessoal para mulheres em situação de vulnerabilidade no Rio

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um projeto social na Lapa, região central do Rio de Janeiro, ensina noções de defesa pessoal para mulheres em situação de vulnerabilidade social ou que já sofreram algum tipo de violência. A iniciativa, chamada Menina-Moça Mulher, tem como objetivo fortalecer a autoestima das participantes e ajudá-las a ressignificar suas histórias, além de ensinar novas formas de enfrentar situações de risco no dia a dia.

As aulas, que começaram em abril do ano passado, ocorrem uma vez por semana e atualmente contam com cerca de 20 mulheres. As participantes aprendem técnicas de defesa baseadas no Muay Thai. A professora Ana Lino, responsável pelos treinos, explica que o foco é preparar as mulheres para reagir em situações de perigo.

““Aqui, primeiramente, a gente faz a base, que é através da arte marcial, que é o muay thai. Eu ensino os golpes e a defesa pessoal é quando essas mulheres estão em situação de risco, em situação de perigo”,”

afirmou Ana.

O projeto também oferece uma rede de apoio que inclui ajuda psicológica, tratamentos de saúde e cursos profissionalizantes. Ana compartilha sua experiência pessoal, afirmando:

““Eu tive uma história de agressão dentro da minha casa. E isso me deu mais força ainda para que eu pudesse compartilhar aquilo que eu sei para essas mulheres.””

A balconista Maria Elis da Silva, uma das alunas, relata que as aulas a ajudam a lidar com a ansiedade:

““Eu paro de pensar mais nas outras coisas. Eu acho que eu ficava muito parada.””

A cozinheira Regiane Pires, que perdeu o filho há quatro anos, destaca que as aulas a ajudaram a retomar a vontade de socializar:

““Hoje em dia eu não tomo tanto remédio como eu tomava antigamente. E todas as mulheres devem aprender a se defender, né?””

A auxiliar administrativa Renata Quintanilha, que cuida de uma filha com autismo, também se sente beneficiada:

““Eu me sinto renovada. Parece que é uma terapia. Eu super indico para qualquer pessoa, de qualquer idade.””

Ana Lino ressalta que as aulas são uma troca de experiências:

““Porque elas acham que eu estou aqui dando força pra elas mas, na verdade, são elas que me dão força para que eu continue com esse projeto.””

O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro em número de feminicídios no Brasil, com 104 casos registrados no ano passado. Em todo o país, foram 1.470 casos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O Mapa da Mulher Carioca, divulgado recentemente, revelou que as notificações de ameaça totalizaram 102.470 casos no ano passado no município do Rio de Janeiro, com 65,5% das vítimas sendo mulheres. Além disso, as mulheres pretas e pardas representam mais da metade dos registros, com 50,2%.

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