Promotoria de Paris investiga Elon Musk por incentivo a deepfakes sexuais no X

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Promotoria de Paris alertou as autoridades americanas sobre a suspeita de que Elon Musk teria incentivado a criação de deepfakes de teor sexual no X, com o objetivo de aumentar “artificialmente” o valor da empresa. A declaração foi feita no sábado, 21 de março de 2026.

Segundo a Promotoria, a polêmica gerada pelos deepfakes de conteúdo sexual explícito, produzidos pela inteligência artificial Grok, poderia ter sido deliberadamente instigada para elevar o valor das empresas X e xAI. Essa estratégia estaria relacionada à abertura de capital, prevista para junho de 2026, da nova entidade resultante da fusão entre Space X e xAI.

Os deepfakes são vídeos gerados por inteligência artificial que criam versões extremamente realistas de pessoas, frequentemente figuras públicas. A Promotoria informou que, na última terça-feira, entrou em contato com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e com advogados franceses na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) para compartilhar suas preocupações sobre o caso.

Em resposta a um link de uma matéria da AFP sobre a investigação, Musk se referiu aos promotores franceses como “deficientes mentais”. O advogado do X na França não comentou a situação imediatamente.

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O Grok, a IA do X, possui uma conta na rede social que permite aos usuários interagir com ele. No entanto, houve um período em que os usuários podiam marcar o bot em publicações para solicitar a geração ou edição de imagens, o que gerou indignação quando foram feitas solicitações para criar imagens de mulheres e meninas nuas sem consentimento.

Desde o ano passado, as autoridades francesas investigam o X por acusações de que seu algoritmo interferiu na política francesa. A investigação agora inclui um inquérito sobre a disseminação, por meio do Grok, de negacionismo do Holocausto e de vídeos falsos de teor sexual.

Em fevereiro, as autoridades convocaram Musk para uma “entrevista voluntária” e realizaram uma busca nos escritórios locais do X, um ato que o bilionário classificou como “ataque político”. Investigações semelhantes foram abertas no Reino Unido e na União Europeia sobre a criação de deepfakes sexualizados de mulheres e crianças pelo chatbot Grok.

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