O presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, seu “apoio inabalável” ao novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, nomeado uma semana após o assassinato de seu pai, Ali Khamenei, no início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos.
“Gostaria de reafirmar nosso apoio inabalável a Teerã e nossa solidariedade aos nossos amigos iranianos”, disse Putin em uma mensagem a Khamenei, de 56 anos. “A Rússia tem sido e continuará sendo uma parceira confiável” para o Irã, acrescentou.
Putin destacou que, “em um momento em que o Irã enfrenta uma agressão armada, sua gestão nesta posição tão elevada exigirá, sem dúvida, grande coragem e dedicação”. Apesar de Moscou ser aliada próxima da nação persa, não auxiliou as forças armadas iranianas durante a guerra, exceto para compartilhar, segundo a mídia americana, informações de inteligência sobre a localização de ativos militares americanos no Oriente Médio.
A China, outra aliada e maior compradora de petróleo do Irã, afirmou que a decisão de nomear Mojtaba Khamenei como novo líder supremo é um assunto interno e “uma decisão da parte iraniana baseada na sua Constituição”, segundo o porta-voz da diplomacia Guo Kiakun. Ele acrescentou que Pequim se opõe a um ataque contra o novo guia supremo, como já ameaçou Israel.
Mojtaba Khamenei foi eleito no domingo para assumir o comando do Irã e suceder ao seu pai na função de líder supremo. Ele é considerado uma das personalidades mais influentes do país. O nome do religioso circulava há tempos como possível sucessor de Ali Khamenei, que faleceu no último dia 28 de fevereiro, aos 86 anos, após mais de três décadas à frente do Irã.
Nascido em 8 de setembro de 1969, na cidade sagrada de Mashhad, Mojtaba Khamenei é um dos seis filhos do falecido líder supremo e o único com uma posição pública, embora não ocupe um cargo oficial. Sua discrição em cerimônias oficiais e nos meios de comunicação gerou intensas especulações sobre sua verdadeira influência, tanto entre a população iraniana quanto em círculos diplomáticos.
O religioso, com barba grisalha e turbante negro dos “seyed” — descendentes do profeta Maomé — foi apresentado por alguns como o verdadeiro dirigente, que atuaria nos bastidores no escritório do líder supremo, núcleo do poder no Irã. Ele é considerado próximo dos conservadores, especialmente por seus vínculos com a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, relação que remonta à sua participação em uma unidade de combate no final da longa guerra entre Iraque e Irã (1980-1988).
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu na semana passada que qualquer sucessor de Ali Khamenei se tornaria “um alvo”.


