A Polícia Civil de São Paulo identificou quadrilhas especializadas no furto de celulares durante grandes festivais, como o Lollapalooza, realizado no último fim de semana no Autódromo de Interlagos.
Esses grupos, formados em média por dez pessoas, aproveitam a aglomeração e a dificuldade de movimentação para agir. O delegado Luiz Alberto Guerra, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), afirmou que esses criminosos se disfarçam de fãs, adotando códigos visuais do público e acompanhando as tendências de cada edição.
No primeiro dia do Lollapalooza, uma jovem de aproximadamente 20 anos foi presa com 11 celulares e uma câmera digital escondidos em suas roupas. A maioria dos aparelhos era de modelos iPhone, incluindo o mais recente, que pode custar até R$ 11.500.
Esse tipo de crime não é novo. No fim de semana anterior, cinco pessoas foram presas nas proximidades do Allianz Parque, onde ocorreu um show do cantor Luan Santana, que atraiu mais de 50 mil pessoas. Os criminosos investem em ingressos caros, como os do Lollapalooza, que custaram R$ 1.659,44 para os três dias, acreditando que os furtos compensarão o investimento.
Guerra destacou que os furtos são realizados com grande destreza, o que dificulta a identificação dos criminosos. Ele observou que, geralmente, as mulheres são as responsáveis pelos furtos, pois conseguem se aproximar de outros frequentadores sem levantar suspeitas.
A dificuldade em realizar prisões é um desafio constante. No caso do Lollapalooza, a polícia conseguiu rastrear um celular após uma vítima procurar o ônibus da Polícia Civil no local. A abordagem à suspeita ocorreu fora do festival, onde foram encontrados os aparelhos. Metade dos celulares foi devolvida às vítimas no mesmo dia.
Neste ano, foram registrados 11 furtos no Lollapalooza, cinco a mais do que no ano anterior. No entanto, o número real pode ser maior, já que muitos frequentadores não registram boletins de ocorrência durante o evento para não perderem os shows.
Os seis suspeitos detidos nos dois eventos deste mês permanecerão presos, com a prisão em flagrante convertida em preventiva. A pena para esses crimes pode chegar a quatro anos de reclusão, com possibilidade de aumento por associação criminosa. A receptação dos aparelhos furtados é um problema adicional, pois muitos são vendidos no centro de São Paulo, seja para desmonte ou exportação.

