Em Itapetininga (SP), 78,6% das 21.457 famílias cadastradas no CadÚnico são chefiadas por mulheres, totalizando 16.945 lares. O dado foi divulgado pelo Observatório do Cadastro Único, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em janeiro de 2026.
As mulheres representam a maioria no cadastro do governo, mesmo fora do contexto familiar. Em cidades vizinhas, como Tatuí, Itararé e Itapeva, a situação é semelhante, com mais mulheres do que homens nos cadastros.
Para o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a história de Valdineia Gomes, mãe de três filhos e residente em Itapetininga, foi destacada. Ela utilizou benefícios sociais para complementar sua renda após terminar relacionamentos difíceis. Valdineia compartilha:
“”Minha história é como a das mães que criaram seus filhos sozinhas. Da primeira filha, eu me separei depois de dois anos casada. Tinha um marido que bebia muito, era violento. Decidi separar para não viver a mesma vida que a minha mãe viveu.””
Valdineia teve sua primeira filha aos 18 anos e contou com a ajuda de sua mãe enquanto trabalhava como empregada doméstica. Após a separação, ela voltou a morar com a mãe, que a aconselhou a não entrar com medidas judiciais contra o ex-marido devido ao alcoolismo dele.
Ela teve outros dois filhos de relacionamentos conturbados, mas nenhum dos pais participou ativamente da criação. Valdineia afirma:
“”Nunca me deram pensão alguma, sempre fui eu batalhando para cuidar de três crianças sozinha.””
Ela também enfrentou preconceito por ser mãe solo, especialmente nos anos 1990. Valdineia comentou:
“”Sempre somos vistas como ‘vagabundas’, que arrumamos alguém sempre por interesse.””
Apesar das dificuldades, ela acredita que a escolha de ser mãe solo foi a melhor para ela.
Durante uma das gestações, Valdineia precisou recorrer ao Bolsa Família para sustentar a família. Ela destacou a importância do apoio familiar:
“”Graças a Deus eu tinha a minha mãe, que me ajudava bastante. Nunca cheguei a passar por uma situação de aperto financeiro extremo.””
A advogada Emanuela Barros, especialista em direitos de violência contra a mulher, orienta que, em casos de abandono parental, é fundamental procurar a assistência social do município. Ela menciona que, em 2023, foi sancionada uma lei que prevê auxílio-aluguel para mulheres vítimas de violência doméstica.
Barros recomenda que as mulheres verifiquem seu acesso ao Bolsa Família e explorem outras alternativas, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e programas do Governo Federal voltados para a assistência social.


