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Educação

Queda de matrículas no ensino básico de Ribeirão Preto atinge 2,5%

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de março de 2026 18:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O número de alunos matriculados no ensino básico em Ribeirão Preto, SP, caiu em quase 3,5 mil entre 2024 e 2025. De acordo com o último Censo Escolar, a cidade passou de 140.474 para 137 mil matrículas, o que representa uma redução de 2,5% nas escolas municipais, estaduais e particulares.

A diminuição no número de matrículas acompanha uma mudança demográfica na cidade. Dados do IBGE mostram que o número de nascimentos em Ribeirão Preto caiu 13% nos últimos cinco anos, passando de 10.438 bebês registrados em 2019 para 9.062 em 2024. Isso significa que quase 500 crianças a menos nasceram no município de um ano para o outro, impactando diretamente a quantidade de alunos nas escolas.

A inspetora da Escola Estadual Guimarães Júnior, Edna Gerolin, observou mudanças no perfil dos alunos após 41 anos na educação. Segundo ela, o esvaziamento das salas é um reflexo das novas prioridades das famílias.

““Eles realmente diminuíram a quantidade. Os pais estão mais preocupados em dar saúde e educação para eles, e têm menos filhos por causa do gasto”,”

afirmou Edna.

Estudantes como Ana Carolina dos Santos, de 17 anos, confirmam essa tendência. Ela é filha única e explica que a decisão dos pais de não aumentar a família foi uma mistura de destino e praticidade.

““Minha mãe não era daqui, era de Maceió e conheceu meu pai aqui, então eu não fui muito planejada. Depois, com o tempo, eles foram falando que não tinham mais paciência para ter outro filho”,”

contou Ana Carolina.

Lucas Trindade, também de 17 anos, compartilha uma experiência semelhante.

““Eu sempre quis [um irmão], tentei convencer minha mãe, mas nunca consegui. Teve certos momentos que ela até pensou em ter mais filhos, só que a ideia sumiu”,”

relatou o jovem.

Além da questão demográfica, analistas apontam que o sistema de ensino se tornou mais eficiente na correção de fluxo. O especialista em educação Antônio Esteca destacou que a redução na distorção idade-série é um fator importante.

““O sistema está sendo mais eficiente, os alunos estão reprovando menos e concluindo o ensino médio mais rapidamente. Com isso, diminui a população que está cursando a educação básica”,”

explicou Esteca.

No entanto, ele alertou para a evasão escolar, especialmente no Ensino Médio. Em todo o Brasil, houve uma queda de 1,1 milhão de matrículas em apenas um ano.

““Quando a gente olha o Censo, os alunos que estavam na segunda série do médio e foram para a terceira são bem menos. Houve uma queda da segunda para a terceira, o que indica evasão”,”

afirmou.

Apesar da queda geral nas matrículas, a Escola Guimarães Júnior apresenta um cenário diferente, com salas cheias. A diretora Dulce Pereira atribui isso ao modelo de ensino de meio período, que atende a demanda de alunos que trabalham.

““O menino vem para a regular porque precisa trabalhar, vai para o mercado de trabalho. Essa escola atende as necessidades dele”,”

disse Dulce.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que mantém programas focados na permanência estudantil e contesta que a redução de matrículas esteja diretamente ligada à evasão. A pasta realiza busca ativa de estudantes após três faltas consecutivas para evitar o abandono escolar.

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