Queda na conservação de espécies migratórias pautará encontro da ONU

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A cidade de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, receberá a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) a partir de 23 de março. O evento, que ocorrerá ao longo de uma semana, será o centro dos debates sobre ações de conservação de animais migratórios que atravessam diferentes ecossistemas.

Representantes de 132 países e da União Europeia estarão presentes, todos signatários da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), criada em 1979. O tratado visa proteger a biodiversidade e as rotas migratórias, além de mitigar os impactos da poluição e das mudanças climáticas.

A secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel, destacou que os principais tópicos da COP15 incluem os achados do primeiro relatório sobre o estado das espécies migratórias, apresentado na COP14, em Samarcanda, Uzbequistão. Segundo Kelly Malsch, chefe de Conservação da Natureza do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), houve um declínio de 24% no estado de conservação das espécies migratórias, afetando uma em cada quatro espécies listadas pela CMS.

“Isto representa um aumento de 2% desde a COP14 em 2024. A proporção de espécies com populações em declínio subiu de 44% para 49%”, explicou Amy Fraenkel, referindo-se à análise dos dados da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN.

A secretária também mencionou que os dados serão debatidos em relação à implementação de políticas que enfrentem a captura ilegal e insustentável de espécies migratórias, além de promover a conectividade ecológica para combater a destruição de habitats. “Estamos analisando a infraestrutura, tanto em terra quanto nos oceanos, e buscando maneiras de apoiar a expansão da energia renovável”, afirmou.

Novos estudos serão apresentados na COP15, incluindo um relatório sobre peixes migratórios de água doce e outro sobre mineração em águas profundas. “Além deste relatório sobre o estado das espécies migratórias, teremos um novo e importante relatório global”, detalhou Amy Fraenkel.

O Brasil participa da convenção desde outubro de 2015 e é um dos países que abriga grande parte das espécies protegidas pelo tratado, que incluem quase 1,2 mil aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos. A perda de habitat e a sobre-exploração ameaçam a extinção dessas espécies, que estão classificadas no Anexo 1 e Anexo 2 da CMS.

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