Pesquisadores da Rice University desenvolveram um sistema chamado MetaHeart, que utiliza radares para medir batimentos cardíacos à distância, sem necessidade de contato físico.
Tradicionalmente, a medição dos batimentos cardíacos exigia dispositivos como eletrodos ou pulseiras. No entanto, a nova tecnologia permite que sensores de rádio realizem essa tarefa sem fio, apresentando resultados clínicos significativos, como a detecção de apneia do sono e o monitoramento de pacientes cardíacos em casa.
À medida que esses sensores se tornam menores e mais acessíveis, surge a preocupação sobre quem controla os dados coletados. Especialistas debatem a privacidade e a segurança das informações biométricas.
Os sensores funcionam emitindo ondas de rádio e analisando o retorno dessas ondas após interagir com o corpo. Essa tecnologia é capaz de estimar a frequência cardíaca de uma pessoa a vários metros de distância, mesmo com roupas comuns.
Estudos indicam que sensores comerciais conseguem medir a frequência cardíaca com uma margem de erro de 5 a 6 batimentos por minuto. Além disso, esses dispositivos podem detectar a variabilidade da frequência cardíaca (HRV), que fornece informações sobre o estado emocional e físico do indivíduo.
Outra tecnologia em desenvolvimento utiliza câmeras comuns para medir batimentos cardíacos, capturando variações sutis na cor da pele. Essa abordagem levanta preocupações sobre a vigilância não autorizada, pois qualquer câmera pode potencialmente atuar como um sensor cardíaco.
A maior parte das pesquisas nessa área visa aplicações médicas, como o monitoramento de pacientes e a detecção de sinais vitais em situações de emergência. No entanto, a mesma tecnologia pode ser utilizada para monitorar funcionários em ambientes de trabalho, levantando questões éticas sobre privacidade.
A pesquisadora Dora Zivanovic destacou que a falta de regulamentação sobre o uso desses sensores pode levar a um aumento na vigilância biométrica. A tecnologia é invisível e não há como saber se um sensor está capturando dados em um ambiente.
Para proteger a privacidade, a equipe da Rice desenvolveu o sistema MetaHeart, que manipula ondas eletromagnéticas para enganar os sensores, substituindo os dados reais por padrões fabricados.


