A Raízen, produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis, protocolou um plano de recuperação extrajudicial nesta terça-feira (10). A informação foi confirmada por fontes a par do assunto.
A empresa conta com o apoio de credores que representam mais de 40% da dívida total. De acordo com o Brazil Journal, a Raízen incluiu no pedido R$ 65 bilhões em dívidas concursais. Em dezembro, a companhia encerrou o mês com R$ 17,3 bilhões em caixa.
Os bancos concentram cerca de metade da dívida, enquanto bondholders, detentores de CRAs e debenturistas respondem pela outra metade, ambos correspondendo a 40% do montante. O plano de recuperação busca proporcionar um ambiente protegido para a empresa, especialmente com a aproximação do início da safra de cana-de-açúcar, que exige maior capital de giro.
A recuperação extrajudicial suspende apenas o serviço das dívidas financeiras, enquanto os pagamentos a fornecedores seguem normalmente. A companhia está sendo representada pelos escritórios E.Munhoz Advogados e Pinheiro Neto, além da assessoria financeira da Rothschild & Co.
Na última quarta-feira (4), a Raízen informou, em fato relevante, que estava avaliando a implementação de uma solução “abrangente e definitiva” para fortalecer sua estrutura de capital e sinalizou que poderia buscar uma recuperação extrajudicial, se necessário. A proposta em análise contempla uma contribuição de capital de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões do Grupo Shell e R$ 500 milhões de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, pertencente à família do acionista controlador da Cosan.
Em fevereiro, a produtora de energia registrou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, resultado seis vezes superior ao do mesmo período do ciclo anterior. No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra, a companhia somou um prejuízo de R$ 19,8 bilhões.
Na mesma terça-feira, a Moody’s Ratings rebaixou a nota de crédito da Raízen de Caa1 para Caa3, citando o elevado nível de endividamento da companhia e a persistente geração de fluxo de caixa negativo. O rebaixamento ocorreu após a empresa anunciar possíveis medidas para reestruturar sua estrutura de capital, incluindo a injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e um aporte adicional de R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.
O conglomerado Cosan, em teleconferência nesta terça-feira, afirmou que espera novos desdobramentos sobre um plano para a capitalização da Raízen. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, declarou que a companhia acredita que a evolução das discussões sobre a Raízen pode trazer uma solução satisfatória para o mercado. “Nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen”, afirmou Martins.


