O apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, afirmou que defende a população trans, mas também tem o direito de criticar políticos. Ele fez essas declarações em um vídeo publicado em suas redes sociais na sexta-feira, 13.
As falas de Ratinho foram consideradas transfóbicas e ocorreram após a deputada federal Erika Hilton (PSOL) ser eleita para presidir a Comissão da Mulher na Câmara. Durante seu programa, Ratinho comentou que Hilton “não é uma mulher” e que, para ser mulher, é necessário ter útero e menstruar.
““Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio.””
Ratinho também declarou que não tem nada contra Hilton, mas continuou a invalidar sua identidade de gênero. Ele afirmou que “mulher para ser mulher tem de ser mulher” e que não achou justo a escolha de Hilton para a presidência da comissão.
““Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher.””
Em resposta às declarações de Ratinho, o SBT divulgou uma nota à imprensa afirmando que repudia qualquer tipo de discriminação e que as falas do apresentador não representam a opinião da emissora. A direção da empresa está analisando o caso.
A deputada Erika Hilton revelou que teve uma conversa ao telefone com a presidente do SBT, Daniela Beyruti Abravanel, após as ofensas proferidas por Ratinho. Hilton buscou um diálogo sobre a necessidade de medidas a serem adotadas pelas emissoras.
““Ela me atendeu prontamente, conversamos, e reforçou que as declarações do apresentador Ratinho não representam a opinião do SBT.””
Hilton também mencionou que já tomou medidas jurídicas, incluindo uma ação contra Ratinho no Ministério Público e um pedido ao Ministério das Comunicações para a suspensão do programa. Ela destacou que as falas do apresentador revelam uma escalada preocupante no discurso de ódio contra pessoas trans.
““Um apresentador, em plena TV aberta, se sente autorizado a ridicularizar e debochar de toda uma comunidade que já vive historicamente sob estigma e ódio.””


