O apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, de 70 anos, se manifestou em seu programa no SBT na segunda-feira, 16 de março de 2026, sobre a polêmica gerada por suas declarações sobre a deputada federal Erika Hilton, de 33 anos, eleita para a presidência da Comissão da Mulher na Câmara. No dia 11 de março, Ratinho afirmou que Erika “não é mulher”, o que gerou acusações de transfobia e levou a deputada a processá-lo.
“Fui envolvido em um verdadeiro furacão depois de dar uma opinião aqui no programa. Centenas de pessoas fizeram comentários nas redes sociais ou em publicações. Quero agradecer a todos que me apoiaram, nem tive como acompanhar as milhares de mensagens, quase todas unânimes com comentários favoráveis. Muita gente, muita gente mesmo concordou comigo”, declarou Ratinho.
Ele continuou explicando sua postura: “De todos os defeitos que eu tenho, e eu tenho muitos, o que mais incomoda as pessoas é a minha sinceridade, desde que comecei na televisão. Eu não sou garoto de internet, quando eu comecei na TV e no rádio não tinha internet. É o meu jeito direto e reto de falar as coisas e, nos tempos atuais, quem fala a verdade pode ser vítima de patrulhamento e lacração, que naquele tempo não tinha”.
Ratinho afirmou que não pretende mudar sua forma de se expressar: “Quem gosta de mim vai continuar gostando, quem não gosta vai continuar não gostando. Eu não vou mudar meu jeito de ser para agradar quem quer que seja. Fica o recado. Eu não vou mudar”.
Na sexta-feira, 13 de março, Ratinho já havia se manifestado nas redes sociais sobre o assunto, defendendo o direito de criticar figuras públicas. “Defendo a população trans, mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio. Convido jornalistas, comentaristas, apresentadores: falem. Publiquem. Não fiquem em silêncio. Porque silêncio é conivência”, disse.
Durante o programa, Ratinho comentou sobre a eleição de Erika Hilton e afirmou: “Não achei isso justo. Tantas mulheres, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres… mulher mesmo”. Ele acrescentou que, para ser mulher, é necessário ter útero e menstruar.
Erika Hilton, por sua vez, anunciou que entrou com um processo contra Ratinho, afirmando que suas declarações constituem uma violência. Ela pediu ao Ministério Público de São Paulo que investigasse o apresentador, destacando que suas falas representam um discurso discriminatório que pode desumanizar a identidade de pessoas trans.
O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Enrico Rodrigues de Freitas, apresentou a ação, que foi originada a partir de uma representação enviada ao Ministério Público Federal pela própria Erika Hilton. O Ministério Público afirma que as declarações de Ratinho configuram uma forma de violência simbólica contra a comunidade LGBTQIA+.

