Os setores de agronegócio e serviços registraram, em fevereiro, três novos casos de recuperação extrajudicial no Brasil. No total, 155 credores e nove empresas requerentes estão envolvidos nesses novos processos, conforme levantamento do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre).
Os segmentos de agronegócio e serviços respondem por quatro registros cada. Os casos mapeados no mês somam R$ 41,07 milhões em dívidas renegociadas, evidenciando a utilização do instrumento em diferentes áreas da economia.
Até o momento, em 2026, foram identificados quatro casos de recuperação extrajudicial nos estados de Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e São Paulo. Esses processos representam R$ 69,79 milhões em dívidas, envolvendo 276 credores e dez empresas requerentes.
A série histórica do Observatório contabiliza 283 casos desde 2005, totalizando mais de R$ 145,3 bilhões em dívidas renegociadas por meio da recuperação extrajudicial no Brasil. Em 2026, a predominância é de empresas de grande porte, com cinco ocorrências, seguidas por quatro microempresas (ME) e uma empresa de pequeno porte (EPP).
Um dos casos destacados envolve a Recuperação Extrajudicial da Belagrícola, no Paraná, onde foi determinada a emenda da petição inicial. O juízo indicou a possibilidade de as recuperandas abrirem mão da consolidação ou optarem pelo pedido de recuperação judicial, devido à complexidade do processo.
No ano de 2025, o Obre identificou 245 empresas que solicitaram recuperação extrajudicial, o maior número desde a reforma da Lei de Falências e Recuperação Judicial (nº 11.101/2005), em 2020. No setor do agronegócio, 55 empresas ou pessoas fizeram esse pedido, um aumento de 111,5% em relação a 2024.
Apesar do aumento, o total de processos no agronegócio foi menor do que o esperado, já que essas 55 solicitações resultaram em apenas 13 processos. Mais de 70% dos casos foram protocolados por produtores rurais pessoas físicas, cujos dados são protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), dificultando a identificação detalhada do segmento.
Considerando o número de processos, o agronegócio representou 17,1% do total de 76 casos registrados em 2025, ano com o maior volume desde o início da série. O setor contabilizou dois casos em 2022, três em 2023 e 13 em 2024, mantendo o mesmo patamar em 2025. Em 2026, até o momento, foi registrado um caso.


