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Segurança

Rede de proteção às mulheres em SP: do 190 à responsabilização do agressor

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de março de 2026 11:16
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
Rede de proteção às mulheres em SP: do 190 à responsabilização do agressor
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No estado de São Paulo, o atendimento a mulheres e crianças vítimas de violência começa com a escuta, muitas vezes na ligação ao 190, e se desdobra em uma rede especializada das Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica.

Esse trabalho vai além do protocolo, transformando técnica em cuidado. Policiais que atuam nessa rede afirmam: “É um trabalho que foge de qualquer procedimento padrão.” Para elas, não se trata apenas de atendimento especializado, mas de uma imersão na vida e na dor da vítima, com empatia, escuta ativa e acolhimento sem julgamento.

Quando uma mulher liga para o 190 relatando agressão ou ameaça, a chamada é direcionada às policiais do programa. A soldado Amanda Caroline Estevan explica que cada ocorrência exige uma leitura atenta da situação. Se a vítima pedir uma “pizza”, as policiais precisam agir imediatamente, mas com cautela, para evitar que o agressor perceba a ligação.

Nas Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), o atendimento é, na maioria das vezes, presencial, embora também possa ser feito online. A delegada titular da 1ª DDM, Cristine Nascimento, destaca que o trabalho vai além do registro do boletim de ocorrência. “Houve casos em que a mulher chegou aqui desesperada, agredida ou ameaçada, mas o agressor ficou em casa com o filho dela. Então nós vamos, buscamos o que ela precisa, fazemos esse acolhimento”, afirma.

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A etapa seguinte pode incluir o Instituto Médico-Legal (IML). A Sala Lilás, criada recentemente, oferece um espaço reservado para mulheres e crianças realizarem exames periciais, evitando constrangimentos. A médica-legista Cristiane Coelho explica que os laudos produzidos a partir dos exames são fundamentais para embasar juridicamente o processo e contribuir para a condenação do agressor.

Atuar na rede de proteção também transforma quem está do outro lado do atendimento. A delegada Cristine, com 13 anos na unidade especializada, afirma que a experiência moldou sua forma de educar o filho. “Quando meu filho reclama de algo sem importância, a intervenção é imediata. As conversas sobre respeito, especialmente com as mulheres, são constantes.”

O impacto se estende à vida social das policiais. Amigas e familiares passaram a buscar orientação e a identificar sinais de violência antes que a agressão física aconteça. A médica-legista Cristiane ressalta que a violência começa antes da agressão física, no controle e isolamento da mulher. “Esse é um entre tantos fatores que faz ser tão complexo combater a violência doméstica”, conclui.

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