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Regulamentação de delivery pode aumentar preços no Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos no Congresso Nacional pode encarecer as entregas de delivery no Brasil. Um dos pontos em debate é a criação de um valor mínimo para os entregadores, que pode chegar a R$ 10 por entrega, além de um adicional de R$ 2,50 por quilômetro percorrido.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende votar a regulamentação até o início de abril. As plataformas de delivery afirmam que mudanças desse tipo resultariam em um aumento do preço final dos pedidos e encomendam pesquisas para apoiar sua argumentação.

Segundo o iFood, um eventual aumento do preço final ao consumidor poderia reduzir a demanda e aumentar a desistência de pedidos, especialmente entre consumidores da classe C, que já demonstram resistência a taxas mais altas. Uma pesquisa divulgada esta semana pela empresa indica que o preço é o principal fator na decisão de compra nos aplicativos.

Entre os consumidores ouvidos em fevereiro, 67% afirmaram que reduzirão seus pedidos caso os valores subam, enquanto 15% deixariam de usar as plataformas. Apenas 16,4% manteriam a mesma frequência de pedidos diante de um aumento.

A faixa de preço considerada mais aceitável para a taxa de entrega varia entre R$ 4,99 e R$ 8,49, e apenas 5% dos entrevistados aceitariam pagar mais de R$ 12 por entrega. De acordo com o levantamento, 56,4% dos clientes que desistiram de concluir pedidos apontaram o preço final como principal motivo, sendo a taxa de entrega uma das principais barreiras.

A pesquisa ouviu 1.533 consumidores em todas as regiões do país e mostrou que 35,2% gostariam de pedir comida por aplicativos com mais frequência; entre eles, 64,2% afirmam que motivos financeiros impedem o uso mais frequente. Promoções, descontos, frete grátis e preços menores nos estabelecimentos são fatores que poderiam estimular o consumo.

O estudo também identificou diferenças entre eleitores de diferentes espectros políticos. Entre consumidores que se identificam com a esquerda, a maioria aceita pagar taxas entre R$ 4,99 e R$ 8,49, mas apenas 3,5% aceitam valores acima de R$ 12. Entre eleitores de direita, destaca-se a parcela que não paga taxa de entrega (19,8%); nas demais faixas de preço, os índices são semelhantes aos observados entre os consumidores de esquerda, enquanto 5,6% afirmam pagar mais de R$ 12.

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